As (muitas) oportunidades econômicas e socioambientais da geração distribuída de energia

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O mercado de geração distribuída é um dos que mais cresce no país. De acordo com a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), no início deste ano, o número de conexões de micro e minigeração de energia (aquela energia gerada em pequena quantidade, por telhados solares ou pequenas torres eólicas, por exemplo) chegou a mais de 20 mil instalações, com atendimento a 30 mil unidades consumidoras. Isso significa uma potência instalada de 247,30 MW, suficiente para atender 367 mil residências.

Para discutir o atual cenário sob o enfoque de oportunidades de negócios, novidades tecnológicas, barreiras regulatórias e jurídicas, mas também do impacto social e ambiental, foi realizado, nos dias 24 e 25 de outubro, em Fortaleza, o 3º Congresso Brasileiro de Geração Distribuída. O WWF-Brasil foi um dos participantes do evento.

Na mesa Sustentabilidade Socioambiental na Geração Distribuída (GD), a analista de conservação Alessandra Mathyas abordou as oportunidades de negócio para geração distribuída de geração de energia limpa de pequeno porte para consumidores que não são atendidos pela rede (geração off grid).

Responsável pelo projeto do WWF-Brasil que, desde 2016, leva, em parceria com o ICMBio, energia limpa para comunidades da Amazônia, Alessandra destacou os benefícios da energia para populações de comunidades isoladas – como extrativistas, ribeirinhos e indígenas.

De acordo com ela, comunidades isoladas possuem uma forte demanda reprimida por equipamentos movidos a energia solar, como lanternas e lamparinas, bombas d’água ou mesmo refrigeradores, além de iluminação básica e mais eficiente, módulos, inversores, controladores e baterias. Isso porque, com o uso de energia solar, esses dispositivos, já bastante conhecidos, evitam a necessidade e a queima de combustíveis fósseis, gerando menos gastos para os moradores e redução de emissões de gases de efeito estufa para a atmosfera.

“As poucas comunidades que já têm energia solar são exemplo para milhares de outras, que não encontram em seus municípios quem venda esses equipamentos, muito menos quem saiba instalá-los ou dar a manutenção adequada. Só de residentes em Reservas Extrativistas (Resex), estamos falando de mais de 700 mil pessoas que vivem nessa situação, sem energia”, comentou a analista.

Alessandra explicou que, quando comunidades isoladas têm acesso à eletricidade limpa, sem o uso de combustíveis fósseis que são bastante caros na Amazônia, imediatamente há melhoria na produção extrativista local, com beneficiamento de frutas, resfriamento de pescado e fabricação de gelo:

“Os benefícios econômicos são grandes, mas a vida social fica ainda melhor. Com água de qualidade, cai o número de doentes, as pessoas ganham mais tempo para outras atividades até então impossíveis, pois gastavam muito tempo lavando roupas e louça no rio ou indo buscar água em baldes. Tendo eletricidade, novas escolas podem funcionar no período noturno, mantendo jovens em suas comunidades”.

A analista de conservação completou sua fala com um pedido especial às centenas de empresários do setor de energia limpa do Brasil participantes do evento:  “sejam parte da história que vai tirar milhões de brasileiros da escuridão. Vamos mudar a fonte de energia dos séculos XIX e XX (madeira e petróleo), para a energia do século XXI – a energia limpa”.

Ao todo, o Congresso contou com mais 60 palestras. Além do WWF-Brasil, participaram da seção Sustentabilidade Socioambiental em GD representantes do projeto Litro de Luz; da Iniciativa de Cooperação Alemã (GIZ); do Instituto SocioAmbiental (ISA) e do Instituto Ideal.

Essas e outras iniciativas deverão estar presentes na Feira e Simpósio de Soluções Energéticas para Comunidades da Amazônia, um evento de promoção da energia solar na região e de troca de experiências que acontecerá em Manaus, de 25 a 28 de março de 2019.

Fonte: WWF-Brasil

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