Sebrae busca alternativas para ampliar a produção de orgânicos

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Da Redação (*)

Apesar da grande projeção dos alimentos orgânicos com a onda de consumo de produtos mais saudáveis e sem agrotóxicos, no Brasil, o negócio ainda depende de impulso de fomento e mais pesquisas. As dificuldades específicas estão muito distantes do modelo de agricultura convencional (que utiliza agratóxicos) e tem maior poder de competitividade.

Com base numa pesquisa de 2018, o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) observou que os maiores desafios dos produtores orgânicos são: a falta de insumos apropriados, comercialização, assistência técnica e a logística. Foram ouvidos 1.200 produtores do Cadastro Nacional de Produtores Orgânicos.

Os resultados da pesquisa levou o Sebrae a pensar em alternativas aos produtores que procuram a entidade. Em entrevista a Agêrncia Brasil, Luiz Rebelatto, aalista técnico da Unidade de Competitividade do Sebrae Nacional, disse que “A opção mais indicada, presente em 57% [das respostas, foi a carência de insumos apropriados para a produção orgânica”, disse.

Segundo ponderou, na agricultura convencional, há uma série de insumos disponíveis, como adubos, agrotóxicos, fertilizantes químicos e sementes de alta produtividade. Esses elementos tornam a produção convecional de alimentos mais vantajoso.

Biofertilizantes e defensivos naturais
Apesar de exisitr soluções orgânicas para os insumos, os produtores enfrentam a falta de insumos, como biofertilizantes e defensivos naturais para afastar insetos ou doenças, além de sementes, por falta de pesquisa e também pela própria dinâmica de investimentos na agricultura convencional.

“A agricultura orgânica também precisa de alguns insumos principalmente na fase inicial de transição agroecológica, quando uma unidade de produção deixa de ser convencional, para de usar produtos como agrotóxicos e fertilizantes químicos, e pode então ter a certificação da produção orgânica. Nessa conversão, o agricultor sente muito e cai muito a produtividade. É necessário que haja uma substituição de insumos, do químico para o orgânico”, disse Rebelatto.

O segundo desafio mais citado foi a comercialização dos produtos orgânicos, com 48%. Na sequência, os produtores apontaram a assistência técnica (39%) e a logística (38%).

“Precisamos de assistência técnica capacitada, qualificada, para trazer essa informação [para o produtor]. Hoje, desde as universidades, dos institutos federais, da formação do agrônomo, do técnico agrícola, do veterinário, do zootecnista, do engenheiro florestal, é muito convencional. A formação é muito focada para o grande agronegócio convencional e não para a produção orgânica e ecológica, então temos uma carência de técnicos e uma falta de conhecimento apropriado sobre isso”, analisou.

Volume em 2018

No Brasil, a produção orgânica faturou R$ 4 bilhões em 2018, sendo que US$ 130 milhões (R$ 480 milhões) vieram das exportações, segundo a Organis, entidade que reúne empresas e produtores orgânicos.

Soluções
Com esses quatro principais elementos identificados, o Sebrae começou a desenvolver este ano uma forma de aproximar produtores com os insumos orgânicos.

“Nós firmamos um convênio Sebrae-Embrapa para desenvolver a identificação de onde esses insumos estão. Estamos fazendo um grande mapeamento nacional com todas as empresas que produzem, com todas as lojas que têm a comercialização desses produtos, e vamos identificar com os endereços, fazer um aplicativo com GPS, para saber onde encontrar o insumo mais perto da sua produção”, afirmou.

O Sebrae identificou ainda uma possibilidade para novos empreendedores. “Estamos desenvolvendo alguns planos de negócio para que micro e pequenas empresas possam entrar no mercado de produção de insumos para agricultura orgânica, que, pela pesquisa, se identificou que é um grande filão de mercado”, finalizou.

Padrão
Acostumado com produtos transgênicos que apresentam padrão de produção, o consumidor brasileiro ainda requer aparência estégica dos produtos. No último domingo (27) o Sesc Avenida Paulista promoveu a Feira (Im)perfeita, visando criar o conceito que a vantagem dos orgânicos não está no visual, e sim, na qualidade.
Durante o evento, o público adquiriu uma diversidade de produtos de origem orgânica e com um diferencial: são alimentos fora dos padrões. Os produtos disponíveis apresentam alto valor nutritivo por serem orgânicos, ou seja, livre de produtos químicos sintéticos. Segundo o agricultor orgânico Eduardo dos Santos Farias, o produto orgânico tem muito valor agregado.

“Tem a questão da durabilidade, sabor, e agregado a este produto tem toda uma consciência, o orgânico não é só não usar defensivos químicos, é a questão de manter as nascentes, a mata, o solo e a fauna. Quem trabalha comigo recebe um valor justo. O orgânico é muito maior do que não usar agrotóxicos, é conceito de conservação no geral e comércio justo,” afirmou Eduardo.

Sebrae Rondônia
O superintendente do Sebrae Rondônia, Daniel Pereira, disse que a entidade foi procurada por liderança de produtores orgânicos que mantém cultivos no distrito de Nazaré, no baixo rio Madeira. Diante da demanda gerada, uma comissão fará visita técnica na localidade para conhecer o negócio e iniciar um program específico em Rondônia, a partir desse modelo.

Daniel Pereira também destacou que a produção e comercialização de produtos organicos é tendência crescente em todo o mundo, sendo alternativa para pequenos produtores que trabalham em regime de agricultura familiar.
O Sebrae Rondônia deverá fazer um estudo amplo para a criação da cadeia de valor, estimular o aperfeiçoamento de técnicas agrícolas específicas, e criar um modelo regional para o estado.
“Já temos um trabalho junto as prefeituras para estimular a compra local de produtos que compõem a merenda escolar, e com a expansão dos produtos orgânicos, essa proposta será ampliada e orientado no sentido de melhorar a qualidade dos produtos fornecidos”, afirmou Daniel Pereira.

ORGÂNICOS NO BRASIL E NO MUNDO

Certificação – O Cadastro Nacional de Produtores Orgânicos, que emite a certificação de produto, tem apenas 19 mil registros, apesar que mais de 68 mil produtores no Brasil se consideram orgânicos.

Mercado – O mercado brasileiro de orgânicos faturou no ano passado R$ 4 bilhões, resultado 20% maior do que o registrado em 2017, segundo o Conselho Brasileiro da Produção Orgânica e Sustentável (Organis), que reúne cerca de 60 empresas do setor.

Mundo – O mercado global de orgânicos, sob a liderança dos Estados Unidos, Alemanha, França e China, movimentou o volume recorde de US$ 97 bilhões, em 2017, segundo a Federação Internacional de Movimentos da Agricultura Orgânica (Ifoam).

Expansão – Estão identificados cerca de 3 milhões de produtores orgânicos em um universo de 181 países. E a agricultura orgânica cresceu em todos os continentes atingindo área recorde de 70 milhões de hectares, aproximadamente.

América Latina – O Brasil é apontado na pesquisa como líder do mercado de orgânicos da América Latina, mas quanto a extensão de terra destinada à agricultura orgânica, o país fica em terceiro lugar na região, depois da Argentina e do Uruguai, e em 12º no mundo.

FREQUÊNCIA DE CONSUMO

A cultura de consumo de alimentos orgânicos está em crescimento, mas os índices ainda são baixos no Brasil. Pesquisa divulgada pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecim,ento (MARA), indica que 11% dos entrevistados consomem produtos orgânicos mais de uma vez por semana. Outros 18% disseram consumir apenas uma vez por semana, e 30% afirmaram que consomem uma vez a cada quinze dias. O consumo de orgânicos uma vez por mês foi indicado por 37% dos entrevistados.

* Com informações ABN e MARA.

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