Lideranças indígenas e extrativistas pensam soluções para problemáticas de comunidades tradicionais de Rondônia

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Lideranças indígenas e de populações tradicionais

Projeto é o assunto do momento, diz Francilene de Souza Costa, jovem moradora da Reserva Extrativista do Rio Cautário, em Costa Marques. Segundo ela, é um assunto recorrente dentro da comunidade, especialmente relacionado a questão de desenvolvimento sustentável, entretanto pouco sabia sobre como estruturar um. Foi pensando na necessidade de Francilene e das comunidades tradicionais que o projeto Pacto da Floresta realizou a Oficina de Elaboração de Pequenos Projetos para e Comunidades Tradicionais de Rondônia, com a participação de diretores e diretoras de oito associações indígenas e extrativistas. O evento teve duração de três dias e contou com a consultoria da engenheira agrônoma Francivane Fernandes, coordenadora de projetos da Conservação Internacional (CI).

O curso iniciou com um breve alinhamento de diretrizes a serem levadas em consideração para a construção de propostas para a segunda chamada de projetos do Programa Casa Socioambiental Amazônia do Fundo Casa, partindo para a identificação e priorização dos problemas das comunidades, estratégias e gestão do projeto.

Dentro da metodologia, os participantes foram levados a exercitar cada etapa da elaboração de projeto na prática, com um olhar para a sua própria comunidade, a necessidades do seu povo e objetivos a serem alcançados. “Nessa prática, a gente pôde passar nossas ideias, ouvindo as orientações da consultora, de acordo com a realidade que a gente vive dentro da reserva e isso fez toda a diferença”, ressalta Francilene. Experiência que ela afirma querer levar para a comunidade e compartilhar com os demais membros da associação.

Para Célio Nakyt Arara, da Terra Indígena Igarapé Lourdes, em Ji-Paraná, a experiência também foi marcante. “Nunca tive a oportunidade de aprender como elaborar um projeto para que nós mesmos pudéssemos acessar os editais e a oficina veio esclarecer muitas questões que eu buscava para atingir esse objetivo. Me sinto mais preparado para procurar meios para que possamos executar projetos através da nossa associação”, avalia o representante do povo Arara.

Assim como Francilene e Célio, o cacique Durval Koaratira Kampé, liderança da associação Õtaibit da Aldeia Cajuí (TI Rio Branco), a ideia é, daqui para frente, levar os conhecimentos para a comunidade e aplicar na elaboração de projetos para atender as demandas de seu povo, como a defesa e preservação do território de seu povo e outras demandas. “Tivemos um conhecimento profundo, a gente viu que podemos acessar recursos pra fazermos pequenos projetos para a nossa comunidade e isso foi maravilhoso”, finaliza.

No total, foram 15 participantes representantes das organizações sociais: Associação Indígena Doa Txatô; Õtaibit; Karo Paygap; ASSIZA; APIZ; AGUAPÉ; ASAEX ; e ASROP.

O projeto

O Pacto da Floresta é executado pelo Pactos das Águas e recebe recursos financeiros do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) através o Fundo Amazônia, e visa apoiar a consolidação da cadeia produtiva da castanha-do-brasil e o fortalecimento das atividades produtivas relacionadas ao açaí, farinha de mandioca e borracha natural, além de compatibilizar a conservação da natureza

com o uso sustentável dos seus recursos naturais nas Terras Indígenas (TIs) Igarapé Lourdes, Rio Branco e a Reserva Extrativista (RESEX) Estadual do Rio Cautário e as RESEXs Federais do Rio Cautário e Rio Ouro Preto.

Ele é estruturado em seis componentes básicos: estruturação da cadeia produtiva da castanha-do-brasil; difusão de boas práticas para melhorar a qualidade produtiva; fortalecimento das organizações comunitárias para melhor gestão de negócios da floresta; agregação de valor aos produtos da floresta com ênfase a castanha-do-brasil; alternativas de renda complementares a castanha-do-brasil; articulação institucional.

Ascom

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