Povo Munduruku diz não a mineração e garimpo em terra indígena

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Coletiva de lideranças Munduruku em Brasília © WWF-Brasil/Bruno Taitson

Por Bruno Taitson

Dezenas de lideranças da etnia Munduruku estão em Brasília para se reunir com autoridades, encaminhar reivindicações e denunciar graves ameaças contra seus territórios. Nesta quinta (21/11) os representantes deram uma coletiva de imprensa na Universidade de Brasília (UnB) e repudiaram a tentativa, apoiada pelo Governo Federal, de liberar a mineração dentro de terras indígenas.

“A legalização do garimpo é a morte dos nossos povos e dos rios”, criticou Alessandra Korap Munduruku, liderança que vive na aldeia Praia do Índio, município de Itaituba (PA). Ela relatou que inúmeras aldeias estão obrigadas a consumir água poluída pela atividade garimpeira ilegal, sofrendo com doenças.

“As crianças, os velhos, os indígenas bebem água suja, essa água está contaminada por causa do garimpo”, afirmou Alessandra, mostrando uma garrafa contendo água de coloração turva, retirada de rio que passa dentro do território Munduruku.

Ela também denunciou as frequentes invasões por madeireiros, garimpeiros, pecuaristas e grileiros. “Até as nossas crianças estão enfrentando invasores, por que a Polícia Federal, o Exército e o governo não estão fazendo nada diante disso?”, questionou.

A liderança Maria Leuza Kaba Munduruku informou que os caciques entregaram cartas ao Ministério Público Federal e a parlamentares, denunciando agressões, assassinatos e ameaças contra representantes indígenas. Os documentos entregues também expõe preocupação diante de dezenas de propostas de alterações na legislação que violam direitos garantidos pela Constituição de 1988.

“Vamos lutar, não vamos negociar a vida de nossos filhos”, afirmou Maria Leuza, mostrando as crianças Munduruku presentes na entrevista coletiva.

O cacique Arnaldo Caetano Munduruku ressaltou que as obras de infraestrutura também têm representado uma grave ameaça à sobrevivência dos indígenas em várias regiões do país. Ele lembrou que hidrelétricas, estradas, ferrovias, portos e gasodutos são feitos sem a consulta prévia aos povos indígenas, em flagrante desobediência à Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), da qual o Brasil é signatário.

“Não queremos que a nossa terra seja invadida. Vocês achariam bom se alguém entrasse em sua casa sem permissão?”, perguntou o líder indígena.

As lideranças Munduruku também expressaram indignação diante da forma como o Governo Federal tem tratado os povos indígenas, recusando-se a demarcar terras tradicionalmente ocupadas e fomentando, por meio de um discurso preconceituoso, agressões, assassinatos e invasões.

“São 519 anos de resistência, não vai ser em quatro anos que vão nos matar”, concluiu Alessandra Munduruku.

Fonte: WWF Brasil

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