Pessoa do ano, é autista e ativista ambiental

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A revista “Time” elegeu como ‘pessoa do ano’, a ativista sueca Greta Thunberg, 16 anos, que ganhou fama e estimulou outros estudantes a entrarem na luta contra o aquecimento global. A escola aconteceu na última quarta-feira (11), e a estudante é a mais jovem personalidade a ser indicada ao título.

O ativismo ganhou dimensão mundial em 2018, quando Greta deixou de ir a aulas nas sextas-feiras em Estocolmo para protestar contra o aquecimento global.

Ela já discursou eventos internacionais como a Cúpula do Clima (Nova York), Conferência do Clima da ONU e o Fórum Econômico Mundial.

Até 2019, a pessoa mais jovem a ser indicada ao título de ‘pessoa do ano’ tinha sido o pioneiro americano da aviação Charles Lindbergh que, em 1927, tinha 25 anos. Greta apareceu na lista de termos mais procurados no Google em 2019. Ela ficou sétimo lugar na categoria “nomes” mais buscados no mundo.

Um dia antes de Greta ser nomeada “Pessoa do Ano”, o presidente Jair Bolsonaro criticou o espaço dado pela imprensa para a ativista, a quem chamou de “pirralha”. Isso porque, no sábado (7), Greta compartilhou um vídeo sobre as mortes dos indígenas brasileiros e escreveu que esses povos são assassinados ao tentar proteger a floresta do desmatamento ilegal.

A entrevista a seguir é de Elena Molinari, publicada por Avvenire, 28-09-2019. A tradução é de Luisa Rabolini.

Avvenire: Greta, há milhares de jovens no mundo nas ruas pelo clima. Por que você acha que seu protesto chegou ao ponto de se tornar um fenômeno mundial??

Greta: Eu não sei. Talvez tenha algo a ver com o fato de eu ter uma forma de autismo. Não me adapto às normas sociais, não me interessa fazer o que os outros fazem, sigo o meu caminho. Talvez os adultos tenham visto que eu não iria parar e eles começaram a prestar atenção.

Avvenire: O clima para você vem primeiro? Você trancou a escola, sua mãe praticamente abandonou sua carreira como cantora de ópera, porque parou de viajar de avião, sua existência mudou completamente. Você não sente falta da sua vida anterior?

Greta: Sim, mas isso é mais importante. Caso contrário, eu teria uma moral dupla, se eu falar que algo é importante, mas não o fizer, é uma dissonância cognitiva. Quando se acredita em algo, precisa fazê-lo.

Avvenire: Você acha que os jovens são imunes a essa dupla moral?

Greta: Para nós, é uma ameaça direta. Os mais idosos já estarão mortos quando as piores consequências dessa crise forem sentidas. Em vez disso, nós as veremos de perto, durante as nossas vidas: é por isso que os jovens estão tão preocupados.

Avvenire: Depois de ouvir os discursos dos líderes mundiais na ONU e ter participado da Cúpula Mundial sobre o Clima no Palácio de Vidro, você tem mais esperança de que as coisas mudem?

Greta: Ainda há muito o que fazer, ainda tudo. Nada mudou por enquanto. Nenhum líder realmente admitiu que tenha fracassado na proteção do planeta. Ainda não se tornou uma prioridade.

Avvenire: O que você quer dizer para todas as pessoas que participam das marchas pelo clima em todo o mundo?

Greta: Que o movimento se tornou muito grande, e isso é comovente. A principal coisa a fazer é se informar e depois agir. Por exemplo, eu sei que em breve haverá eleições no Canadá e espero que todos assumam suas responsabilidades. Não devemos subestimar nossa força coletiva.

Avvenire: Você foi atacada por homens poderosos. O último, recentemente, o vice-primeiro-ministro húngaro, definiu você como “uma criança doente”. Por que você acha que isso acontece?

Greta: Não sei e não entendo por que eles fazem isso, quando poderiam usar seu tempo para fazer algo de bom. Talvez porque sintam que seu mundo, sua visão de mundo está ameaçada. Mas é um elogio para nós, saber que temos tal impacto. Nossa voz ficou forte demais para que eles a possam ignorar e então tentam silenciá-la.

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