Técnicos de Guiné-Bissau participam de curso internacional sobre controle biológico na Embrapa

0
128

São vários os agentes utilizados para controle biológico de pragas agrícolas. Muitos deles já são dispiníveis em fábricas comerciais. Tais agentes são úteis para reduzir o nível populacional de um organismo indesejável. É uma forma de diminuir o uso de defensivos químicos e minimizar impactos negativos à saúde humana e ao ambiente.

As vespinhas do gênero Trichogramma pertencem a esse grupo de insetos benéficos. Elas parasitam os ovos de várias ordens de insetos. Além de sua eficiência no controle de diferentes pragas, podem ser multiplicadas em laboratório de maneira prática e econômica, com critérios e tecnologia desenvolvidos e validados pela Embrapa.

Para difundir os conhecimentos sobre a Spodoptera frugiperda que é a praga mais importante do milho no Brasil e atuamente em países vários africanos, a Embrapa Milho e Sorgo recebeu uma equipe de técnicos de Guiné-Bissau, África, para mais uma edição do curso internacional sobre controle biológico de pragas. Anteriormente, tal curso tinha sido ofertado para equipe de Cabo Verde e Moçambique.

A Embrapa é referência mundial em informações sobre a praga e seus profissionais também conhecem a realidade dos países africanos no que diz respeito ao inseto. O evento é realizado em parceria com a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO). As aulas práticas foram ministradas em Sete Lagoas, pelo pesquisador Ivan Cruz e por sua equipe.

Dois técnicos de Guiné-Bissau tiveram também a oportunidade de conhecer as tecnologias de produção de sementes de milho, através do analista Reginaldo Resende Coelho, da Secretaria de Inovação de Negócios. Esta etapa foi realizada na Unidade de Beneficiamento de Sementes e no campo da Embrapa Milho e Sorgo.

O engenheiro agrônomo Julio Malam Injai, do Instituto Nacional de Pesquisa Agrária, Ministério da Agricultura e Florestas, de Guiné-Bissau ressaltou que o controle da lagarta-do-cartucho é uma preocupação atual dos países da África Ocidental. A praga chegou ao continente em 2016. E desde então, os governos, em parceria com a FAO estão engajados para realizar o controle da praga com agentes biológicos. “É a forma mais viável para realizar o controle. Isto porque é um tratamento que respeita o meio ambiente, a biodiversidade e os ecossistemas. Vamos aprender a produzir o Trichogramma em biofábrica e podemos reduzir o uso de pesticidas”, disse.

Injai agradeceu, em primeiro lugar, ao governo de Guiné-Bissau e a FAO, por viabilizarem a viagem para os técnicos e à Embrapa pelo treinamento. “Temos dois grupos aqui na Embrapa Milho e Sorgo: um para treinamento sobre o controle biológico da lagarta-do-cartucho e outro para aprimorar os conhecimentos sobre produção e tratamento de sementes de milho, sorgo e milheto. A produção de sementes de boa qualidade também contribui para a redução da infestação de pragas. Pois, as sementes de qualidades não vão contaminadas para o campo, ressalta Injai.

Treinamento iniciou em Cabo Verde

O responsável pelo laboratório de controle biológico, Domiciano Maiaba Sanca, do Serviço de Proteção Vegetal, de Guiné-Bissau ressalta que é a segunda vez que está com sendo treinado pelo pesquisador Ivan Cruz.

“O primeiro curso foi realizado em Cabo Verde, onde tive aulas teóricas. Aqui, no Brasil, começamos as aulas práticas. Estes dias, que estamos aqui, são poucos profissionais para aprender tudo sobre a lagarta-do-cartucho. Mas, nosso governo vai considerar este trabalho e viabilizar treinamentos de reciclagem para mais técnicos, afim de aprenderem todas as técnicas”.

O pesquisador Ivan Cruz ressaltou que a parceria não termina com o curso. “Vamos agora iniciar as atividades de controle de qualidade e auditorias técnicas de procedimentos nas biofábricas onde serão produzidos o Trichogramma na África. Este trabalho busca corrigir os procedimentos que, porventura, precisem ser aperfeiçoados. Também iremos abordar as tecnologias para aplicação da vespinha nas lavouras. Está previsto também a realização de pesquisas conjuntas para identificar agentes de controle biológico nos países africanos”, afirmou Cruz.

Controle biológico na África

A lagarta-do-cartucho do milho (Spodoptera frugiperda), uma das principais pragas que atinge as lavouras dos países africanos, chegou ao continente em 2016. Nesta época, o pesquisador Ivan Cruz, da Embrapa Milho e Sorgo, e sua equipe já realizavam projetos de pesquisas e de transferência de tecnologia referentes ao manejo integrado e ao controle biológico de pragas, cujos resultados poderiam ser adotados em diferentes regiões do continente africano.

Para difundir ainda mais as tecnologias de manejo e controle biológico da praga e mitigar os efeitos negativos do ataque, em maio de 2019, Ivan Cruz foi convidado pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) para ministrar um treinamento teórico sobre manejo e controle biológico da lagarta-do-cartucho do milho, em Praia, Cabo Verde. Neste evento, participaram técnicos de Guiné-Bissau, Moçambique e de Cabo Verde. “Todos eles preocupados com a entrada da Spodoptera frugiperda, que já causava severos prejuízos na cultura do milho”, relata o pesquisador.

Em julho de 2019, a Embrapa Milho e Sorgo recebeu os representantes de Cabo Verde e de Moçambique. Além da FAO e da Embrapa, estas atividades acontecem em parceria com os governos dos países africanos e com a Fundação de Apoio à Pesquisa e ao Desenvolvimento (Faped).

Para os treinamentos na Embrapa Milho e Sorgo Ivan Cruz conta com o apoio dos analistas, Tatiane Teixeira de Melo e Sinval Resende Lopes, e dos assistentes Geraldo Magela da Fonseca e Luiz Fernandes da Costa. Além deles, apoiam também este trabalho os bolsistas Ana Luisa Gangana, Lilian Moreira, Clara Castro e Amanda Gomes. Estes bolsistas compõe o projeto de pesquisa em rede “Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia do Hymenopteras Parasitoides da Região Sudeste Brasileira” (CNPQ/CAPES/FAPESP – INC-Hympar Sudeste) e desenvolvem teses sobre controle biológico. Participa também como parceira a empresa JB Biotecnologia, de Paraopeba-MG.

Texto: Sandra Brito
Embrapa Milho e Sorgo

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here