COVID-19: Qual o impacto nas contas dos Governos e dos consumidores?

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Por Dane Avanzi

O setor de telecomunicações no Brasil tem passado por intensas transformações nas últimas duas décadas, mas ouso dizer que nenhuma será tão impactante e profunda como a que está por vir. Explico. Em qualquer país do mundo, as telecomunicações são financiadas pelo Sistema Financeiro Internacional. As operadoras de telecomunicações financiam seus projetos de expansão de rede e atualização de tecnologia com recursos captados em instituições financeiras. Pois bem.

O sistema financeiro internacional passará nos próximos meses por uma profunda transformação em decorrência dos profundos impactos econômicos e financeiros advindos da pandemia do COVID-19, que assola 187 países, segundo dados da OMS (Organização Mundial de Saúde), e já provocou aproximadamente 13 mil mortes em todo o mundo.

Nesse contexto, a economia mundial, que vinha se recuperando da última grande crise de 2008 (de acordo com especialistas, a segunda pior da história, sendo a de 1929 a pior de todas), passará por um desafio inédito que dependerá de um grande acordo entre os principais Bancos Centrais do mundo para tentar estabilizar os diversos ativos que compõem a economia global, especialmente bolsas de valores e moedas que regem as relações comerciais internacionais públicas e privadas – essencialmente, dólar e euro.

Em razão disso, toda cadeia de valor do setor de e-commerce, streaming e telecomunicações que inclui aplicações OTT’s (Over The Top) possivelmente também será revista, uma vez que as grandes empresas do setor possuem capital aberto em bolsas eletrônicas como a Nasdaq, que nas últimas semanas acumula as maiores perdas desde 2008. Com o fechamento das fronteiras em todo mundo, ainda que temporariamente, a globalização também será redimensionada.

No Brasil, não obstante os esforços das autoridades do setor Anatel e MCTIC, a crise financeira, que antes já batia à porta de algumas das grandes operadoras, dificilmente não será agravada, em razão do aumento da inadimplência de milhões de consumidores que terão sua renda reduzida ou severamente prejudicada. Some-se a tudo isso o aumento da dívida interna, a redução da arrecadação da União, Estados e municípios.

Em face desse cenário, se as operadoras conseguirem manter em níveis mínimos a qualidade do serviço que demanda constante manutenção de equipamentos e torres, será uma vitória para o setor. Quanto às operadoras de pequeno porte, o desafio será tão intenso quanto para as grandes. Com menos gordura pra queimar, tendo que driblar a inadimplência, menos capacidade de financiamento e insumos também cotados em dólar, muitos desafios se apresentarão.

Leilão do 5G? Dificilmente haverá clima para que se realize em 2020, sendo uma aposta muito otimista final de 2021, se a recessão mundial não se aprofundar muito e os grandes players encontrarem soluções criativas para harmonizar os profundos desequilíbrios.

Desta forma, autoridades e operadoras terão de encontrar soluções inovadoras para não repassar os custos para conta do consumidor. Em Portugal, por exemplo, três operadoras já se uniram para apresentar um plano ao Governo para minimizar o impacto do novo coronavírus sobre o setor, mantendo a qualidade de serviços e assegurando a capacidade de rede necessária para funções críticas do Estado.

Mais do que nunca, os governos estaduais e municipais precisam investir em redes de telecomunicações proprietárias focadas em missão crítica, para suportar a demanda de quem realmente faz a diferença nos momentos críticos: Polícias (Militar e Civil), Corpo de Bombeiros, SAMU’s, Defesa Civil, entre outros. Somente com muito diálogo e boa vontade de todos, superaremos a crise do COVID-19 com o mínimo de danos ao Governo, empresas e sociedade.

Dane Avanzi é empresário do setor de telecomunicações, advogado e diretor comercial no Grupo Avanzi.

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