Organizações sociais precisam de ajuda em tempos de coronavírus

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Isolamento e confinamento social impostos pelos governos paralisam atividades e projetos sociais dessas instituições, deixando seus beneficiários ainda mais fragilizados. Engajamento de pessoas comuns será essencial para a retomada

Diante da pandemia do novo coronavírus, – responsável pelo desenvolvimento da doença Covid-19 – que cresce em números alarmantes, governantes de vários cantos do mundo e do Brasil recomendaram à população o isolamento. Para que não se contaminem e transmitam o vírus altamente contagioso, as pessoas devem ficar confinadas em casa. Desse modo, diversas atividades cessaram, inclusive as realizadas por Organizações Não Governamentais (ONGs).

Conforme o escritor, consultor e palestrante em desenvolvimento socioambiental, Celso Grecco, esta parada obrigatória dos trabalhos desenvolvidos pelas ONGs em decorrência do isolamento a que toda a população deve seguir pode trazer consequências desastrosas. Isto porque muitas dessas instituições atuam em causas sociais, defendendo a camada mais pobre da população, que por conta de suas condições precárias de moradia ficam bastante vulneráveis ao contágio do vírus e ao desenvolvimento da Covid-19.

Trata-se de um impacto social silencioso, de acordo com Grecco. Enquanto o foco da maioria da população volta-se para o cancelamento de aulas em universidades, por exemplo, centenas de voluntários que adentram as comunidades diariamente para levar alimentação e informação a seus moradores se veem impedidos de atuar. “No Rio de Janeiro, todos os projetos nas favelas estão parando com o coração na mão, porque acreditam que seus habitantes ficarão muito fragilizados sem qualquer tipo de auxílio”, comenta.

Deve-se levar em conta que a vida em uma comunidade carente não é fácil, tendo em vista os cuidados que devem ser tomados para que o vírus não se propague com facilidade. A Organização Mundial de Saúde (OMS) pede para que se lave as mãos constantemente e abastecimento de água regular é artigo de luxo nesses locais. O esgoto fica a céu aberto mesmo. E álcool gel é produto inimaginável. Não porque é difícil de encontrá-lo nas farmácias, como todos sabem, mas porque a maioria dos moradores não tem dinheiro para comprá-lo. Segundo Grecco, nesses locais se torna quase impossível também colocar em prática o isolamento social, já que normalmente as pessoas vivem aglomeradas.

Para o consultor em desenvolvimento socioambiental, a situação é clara, com a suspensão das atividades dos projetos sociais e o envio dos beneficiários para casa, o apoio social diminui, a fome aumenta e a proteção e a assistência em saúde quase inexiste

O cancelamento dos projetos realizados por estas instituições de caridade, organizações comunitárias ou empresas sociais pode afetar inclusive a própria sobrevivência dessas iniciativas. Isto porque são entidades sem fins lucrativos, que dependem em maior ou menor grau das atividades nas ruas, seja para captação de recursos ou comércio. Em outras palavras, diferentemente de empresas convencionais, estas instituições não têm reservas financeiras para compensar sua inatividade, dependendo fortemente do apoio financeiro e laboral angariado no dia a dia.

Dessa maneira, Grecco alerta para a importância das pessoas comuns ajudarem essas organizações a fim de que elas não esmoreçam. Iniciativa já maciçamente divulgada e destacada por ele em seu mais recente livro, “A decisão de que o mundo precisa – 7 caminhos para você sair da indiferença e fazer algo para o futuro da sociedade”, publicado pela Editora Gente.

Em tempos tão sombrios, o auxílio se torna ainda mais necessário e urgente. Afinal, caberá a sociedade civil, por meio destas instituições, juntamente com os governos, lidarem com as consequências dessa pandemia quando ela for controlada . “Se você puder ajudar um projeto, tornando-se voluntário ou através de doações, por favor o faça. As organizações irão precisar de tudo isso (apoio moral e financeiro), quando a quarentena passar”, destaca Grecco.

O isolamento e o confinamento e a decorrente paralisação das atividades das organizações sociais e ambientais é algo importante nesse momento em que o contágio pelo novo coronavírus ameaça aumentar em proporções gigantescas. As consequências dessa parada também parecem ser inevitáveis. As camadas mais pobres e carentes da população ficarão mal assistidas e sofrerão mais. O que pode e deve ser modificada é a força da retomada, após a tempestade passar. E isso depende de todos nós.

Para agir, para auxiliar alguma iniciativa de cunho social ou ambiental não é preciso ser rico, famoso ou influente, explica Grecco. Basta mostrar-se incomodado e dar o primeiro passo, tendo em mente que uma colaboração pequena já é bem maior do que a indiferença. “Sendo assim, não perca tempo, engaje-se”, conclui.

Por Jimenes Comunicação

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