[Artigo] O que aprendemos aplicando avaliações online para alunos do Ensino Médio e pré-vestibulandos em isolamento social

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*Por Juliana Miranda

Há pouco mais de um mês, a TRIEduc Inteligência Educacional iniciou a aplicação de simulados do Exame Nacional do Ensino Médio – Enem em sua plataforma online. O contato com gestores escolares, coordenadores pedagógicos e alunos tem sido intenso desde então, o que nos tem trazido muito aprendizado e ideias para o futuro.

O QUE APRENDEMOS?

CONTROLE DO TEMPO: uma das principais vantagens levantadas pelos alunos sobre a experiência de realizar uma avaliação online foi a capacidade de acompanhamento do tempo investido para resolução de cada questão. Em nossa plataforma, um cronômetro pode ser exibido ou ocultado pelo usuário, pois entendemos que há pessoas que se sentem mais “no controle da situação” ao observar cada minuto passado, como também há aquelas que se sentem muito pressionadas. Da maneira como está, parece que funcionou bem e os alunos dividiram seu tempo de maneira eficiente.

NAVEGAÇÃO ENTRE AS QUESTÕES: na tentativa de reproduzir um caderno de questões impresso, é usual que os itens da prova sejam apresentados aos alunos de maneira sequencial. Contudo, em uma plataforma digital, é necessário que o aluno tenha uma experiência agradável de navegação, como um “mapa” que informe sobre as questões já respondidas, as que ainda não foram visualizadas, as que o aluno ficou em dúvida e deseja deixar para analisar um pouco depois.

ATENDIMENTO DIRETO DO ALUNO: em uma aplicação tradicional, o ideal é que a avaliação seja realizada em um ambiente organizado, com temperatura agradável, sem barulho, que os cadernos de prova cheguem na hora combinada etc. Nem sempre isso acontece e os aplicadores e fiscais são profissionais que oferecem apoio ao aluno e resolvem o que for possível. Já em uma aplicação online, claro que problemas também acontecem: há instabilidade no acesso à internet, configurações específicas de cada hardwaree de cada navegador que às vezes impedem a apresentação da prova da maneira correta. Nesses momentos, o contato direto do aluno com um profissional da nossa empresa trouxe muito mais agilidade e tranquilidade para o processo. Esta solução foi muito mais vantajosa que a alternativa tradicional, que seria obrigar o aluno a entrar em contato com seu professor, que entraria em contato com seu coordenador, que entraria em contato com a empresa, que transfere a ligação para a equipe de tecnologia, que devolve uma resposta que é repassada sabe-se lá como.

A MÃO É MAIS RÁPIDA QUE A VISÃO: é um comportamento comum em usuários acostumados com a rapidez da internet o ímpeto de realizar suas ações de maneira muito rápida. Em nossa plataforma, os alunos clicam acidentalmente no botão de finalização da prova e deixam em branco questões sem perceber. Por isso, planejamos diversos avisos ao usuário sobre cada ação que ele toma. Isso ajuda muito a minimizar erros, torna a experiência da avaliação mais agradável e incentiva o aluno a estar realmente presente em sua atividade.

INCENTIVO AO PROTAGONISMO DO ALUNO: esse, por enquanto, foi nosso retorno mais precioso! Percebemos que por nos dedicarmos muito para o desenvolvimento de uma plataforma online bacana para aplicação de avaliações – ação que decidimos empreender desde o início da empresa e que não foi feita com correria por conta da suspensão das aulas presenciais pela pandemia do COVID-19 – estamos apoiando alunos do Ensino Médio e pré-vestibulandos a serem protagonistas em seu processo de aprendizagem: são eles que têm que se organizar em casa para horas de extrema concentração; são eles que entram em contato diretamente com a empresa quando enfrentam alguma dificuldade tecnológica; são eles que têm que acessar recursos de seus computadores para solucionarem os problemas de suas máquinas; são eles os primeiros a receber o acesso aos nossos relatórios de resultados; são eles que verificam suas prioridades de estudos, fazem comparações de seu desempenho com dados oficiais do Enem, verificam se seriam ou não capazes de passar na universidade que almejam; são eles que trazem questionamentos sobre se o resultado foi ou não coerente.

Tudo isso é possível porque os processos de aplicação, correção e devolutiva de resultados das avaliações são feitos através de plataformas que, obviamente estão em constante evolução, mas foram bem planejadas com o olhar em promover aquilo que realmente importa: o apoio à aprendizagem do aluno em um momento de avaliação.

QUESTÕES PARA DAQUI A POUCO

Acreditamos que a realização de avaliações por meio digital não seja algo limitado a este período de isolamento social. As vantagens para os alunos e as escolas são muitas e apostamos que estejam sendo percebidas. Claro que as aplicações em papel retornarão em breve, mas a mesclagem destas com recursos digitais passará a acontecer com mais recorrência, de modo a apoiar processos de avaliação somativa, mas também, e principalmente, a formativa. Para tanto, algumas ideias e questões têm cada vez mais batido na nossa porta:

EVOLUÇÃO DOS INSTRUMENTOS DE AVALIAÇÃO: Hoje, estamos pautados pelo Enem oficial e tentamos reproduzir a aplicação de um caderno de questões impresso em uma plataforma online. Contudo, as plataformas digitais possibilitam a apresentação de atividades de verificação da aprendizagem de maneiras muito diferentes: e se o aluno, ao invés de ler a letra de uma música, pudesse ouvi-la? E se ao invés de ler um texto sobre uma guerra, ele pudesse ver o trecho de um documentário? E se ao invés de clicar nas opções de respostas A, B, C, D ou E, ele tivesse que acionar recursos dispostos na tela, como, por exemplo, elementos químicos em uma experiência ou localizar no mapa do Brasil a região com determinado bioma?
Esses recursos de interatividade já existem, mas ainda não estão disponíveis e bem planejados para momentos de avaliação educacional formal, aplicada em larga escala. Atividades gamificadas de aprendizagem são muitas, mas elas ainda não conversam devidamente com matrizes de avaliação, a coleta de dados e a estatística para análise do desempenho de alunos que poderiam encontrar mil caminhos diferentes para solucionar um problema e que precisam, obrigatoriamente, ser comparáveis ao longo do tempo e entre diferentes populações.

Nesse novo cenário, professores não poderiam mais trabalhar de maneira solitária na elaboração de questões, afinal, além de uma grande dose de criatividade e de um profundo domínio do conteúdo específico e das formas de avaliação, eles precisariam ser apoiados por profissionais de design, programação, user experience, estatística etc.

AVALIAÇÃO DA APRENDIZAGEM DE CRIANÇAS: apesar de a TRIEduc ter como foco avaliações de alunos mais velhos, foi impossível deixar de perceber que muitas escolas, durante este período de suspensão das aulas por conta da COVID-19, reproduziram recursos de Educação a Distância (EaD), normalmente utilizados com adultos, para as aulas de alunos do ensino fundamental.
Sabemos que muitas instituições nunca haviam pensado em como realizar aulas pela internet e que o trabalho feito por professores neste momento precisa ser reconhecido e admirado – MESMO! Mas em condições normais, como momentos de verificação da aprendizagem de crianças de 6 a 14 anos poderiam ser feitos a distância com qualidade e eficiência? E caso uma pandemia se repita, como minimizar o impacto nos estudos das crianças? Me pego pensando em programas infantis como Barney e seus amigos, Vila Sésamo e Pocoyo para esboçar algumas ideias. Técnicas de storytelling estão sendo cada vez mais desenvolvidas.

ESTUDO DOS RESULTADOS DA AVALIAÇÃO: se os instrumentos de avaliação evoluírem, se a coleta de dados referente à aprendizagem dos alunos acontecer de maneiras mais efetiva – e quem sabe até de maneira concomitante à aula, sem que seja preciso determinar um “momento” da avaliação que é o que normalmente desestabiliza muita gente – então o trabalho pedagógico pode ser muito beneficiado com a análise dos dados coletados.
Como apoiar os professores nesse processo? Como eles precisam que os resultados dos alunos lhes sejam apresentados para que seu planejamento de ensino seja adaptado da melhor maneira? Como liberar mais de seu tempo para que possam pensar em promover momentos de aprendizagem personalizada aos seus alunos?

Afinal, mais do que nunca, essas são questões primordiais e que devem ser pensadas para o futuro da educação.

*Juliana Miranda é CEO da TRIEduc Inteligência Educacional, empresa especialista no desenvolvimento de análises de dados educacionais a partir do resultado dos alunos em avaliações de desempenho.

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