Startup desenvolve irradiadores UVC para descontaminação de objetos, superfícies e ambientes

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Agência FAPESP * – A startup BioLambda, com experiência no uso terapêutico e germicida da luz, desenvolveu uma linha de equipamentos que emitem radiação ultravioleta C (UVC) para descontaminação de máscaras, objetos, superfícies e ambientes, que contribuem para redução dos riscos de contaminação pelo novo coronavírus. A empresa é apoiada pelo Programa FAPESP Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE).

Desenvolvido exclusivamente para descontaminação de máscaras de proteção N95 ou de tecido, o UVMasks possibilita a desinfecção de quatro máscaras em um período de cinco minutos. A BioLambda também disponibiliza a versão manual do equipamento, denominado UVSurface, para a descontaminação de objetos como telefones, teclados, dinheiro, maçanetas, correspondências, compras de supermercado etc. “O tempo de exposição necessário para inativar mais de 99% dos vírus é de cerca de 1 segundo”, explica Caetano Sabino, fundador da BioLambda.

Para desinfectar ambientes, a empresa criou o UVair, constituído por uma câmara de inox refletivo polido, com três lâmpadas dentro e um exaustor: o ar é sugado, passa por um filtro, entra na câmara com uma intensidade UV altíssima e sai pela lateral por baixo, já descontaminado, descreve Sabino.

“Para garantir a eficácia microbicida dos equipamentos, utilizamos dois parâmetros principais: a potência óptica pela área que está sendo incidida, ou seja, a irradiância; e o tempo de exposição com essa irradiância, que é a dose de UV. Usamos UVC de 253,7 nm (nanômetros). É o pico de emissão de UVC que garante a maior eficácia microbicida, seja para bactérias e parasitas, seja para vírus de DNA e de RNA, como o SARS-CoV-2”, explica Sabino.

O efeito microbicida ocorre porque as bases constituintes do DNA e do RNA absorvem luz na faixa UVC. Esse efeito produz uma reação de fotoadição com moléculas próximas, gerando fotoprodutos que distorcem a estrutura do DNA ou do RNA e inibem as funções desse material genético. “As lâmpadas dos equipamentos desenvolvidos pela BioLambda têm espectro de emissão no máximo de absorção do material genético, e é isso que faz com que a eficiência seja tão alta”, explica Maurício Baptista, do Laboratório de Processos Fotoinduzidos e Interfaces, do Instituto de Química da Universidade de São Paulo (USP), pesquisador do Centro de Pesquisa em Processos Redox em Biomedicina (Redoxoma), um Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID) da FAPESP, que mantém parceria tecnológica com a BioLambda.

A BioLambda, o CEPID Redoxoma e o Hospital de Ensino Padre Anchieta, em São Bernardo do Campo, desenvolveram, com apoio do PIPE-FAPESP, equipamento inteligente para aplicação de fototerapia no tratamento de infecções localizadas, inclusive para tratamento do pé diabético. A startup também produz equipamentos para irradiação tanto de células in vitro quanto de modelos animais e para estudos clínicos.

Redirecionamento de produto

A empresa fornece equipamentos para indústrias e empresas e aguarda a liberação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para atender a hospitais e clínicas. “Antes da COVID-19, estávamos desenvolvendo tecnologia de UVC germicida para aplicação industrial, em parceria com a Colgate Palmolive. Trata-se de um fotopasteurizador para descontaminação de líquidos, tanto para água quanto insumos. Com a BRF, uma das maiores exportadoras de frangos do mundo, estamos dando os primeiros passos para implementar um sistema para descontaminar a superfície das esteiras da linha de produção”, conta Sabino. “Quando começou a pandemia, resolvemos entrar de cabeça e desenvolvemos essas três linhas de equipamento em um mês.”

* Com informações da Assessoria de Comunicação do CEPID Redoxoma

Este texto foi originalmente publicado por Agência FAPESP de acordo com a licença Creative Commons CC-BY-NC-ND. Leia o original aqui.

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