Estudo inédito aponta que 74% das ONGs no país estimam redução de recursos este ano

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A pesquisa sobre os impactos da pandemia nas OSCs brasileiras revela também que, mesmo com as restrições econômicas, 86% das entidades pretendem manter atividades e atendimento às populações afetadas pela COVID-19

São Paulo, 17 de junho de 2020. Estudo inédito, coordenado pelas consultorias Mobiliza e Reos Partners e cofinanciado pelo Instituto Sabin, Fundação Tide Setúbal, Fundação Laudes, Instituto ACP, Instituto Humanize, Instituto Ibirapitanga e Ambev, mostra que desde o início da pandemia houve uma queda brusca na captação de recursos às organizações da sociedade civil .

A pesquisa mostra que duas em cada dez instituições do país já estão sem fundos para manter projetos e dar continuidade às atividades junto às comunidades em que atuam. Para chegar aos indicadores, foram realizadas entrevistas qualitativas com gestores de 1.760 OCS’s do país e por meio destes formulários, as entidades destacaram como foram impactadas pela crise. As respostas apontam para um cenário bastante complexo: 87% delas relataram ter todas ou parte de suas atividades principais interrompidas ou suspensas, 73% revelaram que a crise as enfraqueceu muito (36%) ou parcialmente (37%).

Sobre os principais impactos negativos da pandemia, 73% das entidades responderam que houve queda significativa da captação de recursos. Fatores como o distanciamento e dificuldade de comunicação com os públicos atendidos (55%), a redução de voluntários ativos (44%) e o estresse e sobrecarga das equipes (40%) também foram citados como outros pontos.

A pesquisa também perguntou quais foram os impactos positivos da crise e 53% responderam que houve aceleração do uso de ferramentas digitais para o trabalho e 40% indicaram mais engajamento e envolvimento da equipe. Apesar do cenário complexo, 41% dos respondentes esperam que a cultura de doação deve crescer no país, mas com foco em assistência social e saúde e apenas 5% dos respondentes indica uma tendência de encerrar as atividades, o que demonstra um otimismo por parte das OSCs respondentes. Para isso, as necessidades principais indicadas pelos respondentes são recursos para manter seus custos operacionais (70%) e engajamento da sociedade para manter e apoiar suas ações (46%).

Outro dado que chama atenção é que, mesmo com as restrições financeiras, 87% das organizações afirmaram que devem continuar as atividades até o final deste ano, com grandes (58%), pequenas (24%) ou nenhuma (5%) mudanças – percentual que dá fôlego ao setor, considerando que 86% das organizações ainda consegue oferecer algum tipo de atendimento às populações afetadas pela COVID-19 e 49% dessas ações relacionadas à distribuição de alimentos e produtos de higiene. O levantamento destaca ainda um dado positivo: 69% das OCS’s acreditam que a demanda pelos serviços ofertados deve aumentar após o final da pandemia.

Para o Gerente Executivo do Instituto Sabin, Fábio Deboni, uma das organizações parceiras da iniciativa, o estudo foi um importante termômetro para entender os reflexos da pandemia e servirá para ajudar a destacar novas estratégias em favor das ongs e comunidades do país. “Com base nestes indicativos, vai ser possível traçar novas estratégias de atuação para contribuir com o fortalecimento das organizações da sociedade civil e todos os serviços que elas prestam às comunidades”, destaca Deboni .

A iniciativa conta ainda com um Comitê Estratégico voluntário, que apoia nas articulações do projeto e na análise dos dados, formado por ABCR, Arredondar, GIFE, Instituto Filantropia, Move Social, Nossa Causa, Ponte a Ponte, Prosas e Rede de Filantropia pela Justiça Social. Também voluntária, a Because faz a identidade visual e os materiais de comunicação.

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