Casos de dengue explodem na Amazônia em ano de La Niña, aponta estudo da UFPA

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Mordida por um mosquito Aedes. Esta espécie pode transmitir doenças como chikungunya, dengue e zika. Crédito: NIAID

Cientistas brasileiros sugerem em estudo que a ocorrência do fenômeno climático La Niña, responsável pelo esfriamento anormal da superfície do Oceano Pacífico e por aumentar a incidência de chuvas em parte da Amazônia, pode provocar uma explosão de casos de dengue no Norte do Brasil.

A investigação da Universidade Federal do Pará (UFPA), publicada no fascículo de dezembro de 2019 no “Cadernos de Saúde Pública”, analisou notificações de dengue em sete capitais da Região Norte entre 2001 e 2012. A pesquisa relacionou a alta dos casos de dengue ao aumento do volume de chuvas na região provocado pelo La Niña. O estudo indicou ainda queda das notificações quando há ocorrência do El Niño, que ao contrário do La Niña, aquece as águas do Pacífico e provoca estiagem na Amazônia.

Nos 12 anos pesquisados, houve seis casos de La Niña (2001, 2006, 2008, 2009, 2011 e 2012), coincidindo com os percentuais altos de notificações de dengue em capitais como Manaus, Rio Branco, Belém e Palmas. Os métodos e resultados desse estudo são consistentes com pesquisas anteriores que reportaram relações entre os fenômenos climáticos e a incidência da dengue na Austrália e na África, e permitem antecipar informações úteis ao planejamento dos órgãos de saúde no Brasil.

El Niño e La Niña são fenômenos atmosféricos que correspondem ao ENOS (Oscilação El Niño-Oscilação Sul), caracterizado por anomalias de temperatura da superfície do mar. O La Niña, por provocar episódios frequentes de cheias e alagamentos como resultado do aumento no volume de chuvas, contribui diretamente para a proliferação de focos do mosquito vetor. O El Niño, por outro lado, reduz o volume de chuvas e prolonga o período de estiagem, dificultando assim a criação das condições ambientais necessárias para o desenvolvimento da dengue e diminuindo o número de casos.

Dengue pode ser confundida com gripe
A transmissão da dengue envolve fatores socioeconômicos, ecológicos e ambientais, relacionando-se a condições climáticas – que interferem no ciclo reprodutivo dos vetores da dengue. A transmissão se dá pela fêmea do mosquito Aedes aegypti, que se infecta após picar um indivíduo doente. Os sintomas da doença podem ser, muitas vezes, confundidos com gripes e resfriado. Por isso, o Ministério da Saúde recomenda a busca de diagnóstico médico o quanto antes para que o tratamento funcione, que se evite a automedicação e se mantenha bastante hidratado.

De acordo com Boletim Epidemiológico publicado pelo Ministério da Saúde em setembro de 2019, entre 2003 e 2019 foram notificados mais de 11 milhões de casos de dengue no Brasil.

Fonte: Agência Bori

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