Ciência aposta na bioeconomia para fomentar o desenvolvimento sustentável da Amazônia

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Live debateu os desafios e perspectivas para pesquisa e inovação nessa região

O fortalecimento de ações de bioeconomia foi a solução apontada por especialistas da Embrapa para impulsionar o desenvolvimento sustentável da região amazônica. Em live realizada no canal da Empresa no YouTube no dia 03 de julho, o secretário de Pesquisa e Desenvolvimento, Bruno Brasil; o pesquisador da Embrapa Acre Judson Valentim, o chefe-geral da Embrapa Amazônia Oriental, Adriano Venturieri, e a coordenadora do Projeto Integrado da Amazônia (PIAmz), Michelliny Bentes, ressaltaram o potencial dessa área da ciência para apoiar o desenvolvimento socioeconômico do bioma amazônico, a partir da prospecção de bioativos e outros insumos biológicos, gerando renda, emprego e melhores condições de vida para as comunidades locais.

A bioeconomia é uma das prioridades na gestão de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I) da Embrapa e, dentro desse contexto, a Amazônia se destaca como primeiro cenário para a concentração de esforços. Prova disso é o lançamento recente do Plano Embrapa de PD&I para a Bioeconomia do Bioma Amazônia, pela diretoria-executiva de Pesquisa e Desenvolvimento da Empresa. A expectativa é agregar expertises de unidades de pesquisa que atuam nessa área e buscar recursos junto ao governo federal e organismos internacionais para alavancar estudos científicos na região.

O evento fez parte da série Amazônia em Foco, que reúne especialistas para discutir temas importantes voltados ao desenvolvimento sustentável desse bioma.

Agregação de valor a produtos amazônicos

O secretário de P&D, Bruno Brasil, afirmou que a Embrapa tem uma atuação bastante robusta na Amazônia legal. São nove unidades de pesquisa, que reúnem 335 pesquisadores e 220 projetos em execução, abrangendo investimentos da ordem de R$ 85,7 milhões.

Dos 33 portfólios de projetos dedicados a temas estratégicos para a agricultura brasileira, um é voltado exclusivamente à Amazônia, com o objetivo de apoiar políticas públicas integradas para o desenvolvimento competitivo dessa região, com foco em bioeconomia. “É uma nova perspectiva de economia verde, de baixo carbono, que aproveita os recursos naturais disponíveis para a geração de alimentos, fármacos, bioinsumos e energia, entre outros bens e serviços em prol das cadeias produtivas amazônicas”, complementou.

Segundo ele, um dos pontos fortes nesse debate é a agregação de valor a produtos amazônicos. Como exemplo de sucesso nesse sentido, ele lembrou a pesquisa da Embrapa Amazônia Oriental e da Embrapa Agroindústria de Alimentos, que resultou em dois blends, que são misturas de sucos prontos para o consumo, nos sabores açaí, cupuaçu e acerola; e taperebá (cajá), camu-camu e graviola, além de balas de gelatina de açaí, snacks (salgadinho) à base de farinha de pupunha e mandioca e barrinhas multifuncionais de tapioca, castanha e açaí. “Esses produtos fortalecem a sustentabilidade do bioma amazônico, trazendo desenvolvimento e oportunidades de negócios para as cadeias produtivas locais”, ressaltou.

Brasil ressaltou também a importância dos insumos biológicos para a produção agropecuária, especialmente para o controle de pragas e geração de inoculantes, que podem substituir os fertilizantes e promotores de crescimento sintéticos, gerando mais sustentabilidade e economia à agricultura brasileira. Como exemplo de tecnologia de base biológica, ele citou o Aprinza®, desenvolvido em parceria com a empresa BASF a partir de uma espécie de bactéria de origem amazônica capaz de promover a fixação biológica de nitrogênio em cana-de-açúcar, gerando ganhos de produtividade de até 18% nesse cultivo.


A bioeconomia e o potencial para superar o paradoxo amazônico
Segundo o pesquisador Judson Valentim, que é o presidente do comitê gestor do portfólio Amazônia, a bioeconomia é a área com maior potencial para reverter o grande paradoxo da região Amazônica, marcada por abundância de recursos naturais e extrema pobreza das populações e comunidades locais.

O Código Florestal impõe que 50 a 80% da área desse bioma deve ser mantida com vegetação nativa. “Para que esses recursos florestais se traduzam em desenvolvimento econômico e social para a população, é preciso investir no desenvolvimento de tecnologias de bases sustentáveis”, afirma.

O portfólio Amazônia conta com oito desafios para inovação, elencados por stakeholders das cadeias produtivas agropecuária e florestal, alinhados a 28 políticas públicas. Entre esses desafios, três se destacam em relação à bioeconomia.

O primeiro é voltado à agregação de valor a produtos da biodiversidade amazônica (plantas alimentícias não convencionais (PANCs), óleos, resinas, extratos, essências, gorduras vegetais, frutas, plantas medicinais raízes e tubérculos, fibras, madeira e meliponídeos), considerando a multifuncionalidade do espaço rural nas áreas de produção familiar, de comunidades tradicionais e de povos indígenas

O segundo visa ampliar a inserção de bioativos da Amazônia como insumo para produtos convencionais e bioprodutos de indústrias de bioeconomia, com foco nos setores agroquímico, cosmético, de alimentos e de medicamentos.

O terceiro desafio tem como objetivo aumentar a escala, qualidade, regularidade e logística de matérias-primas da diversidade da Amazônia para o desenvolvimento de soluções tecnológicas voltadas às indústrias agroalimentares, agroquímicas, e de energias renováveis, entre outras.

O pesquisador explica que há vários resultados de sucesso na área de bioeconomia, que nasceram da união entre os conhecimentos tradicional e científico em prol do desenvolvimento sustentável das populações amazônicas. Entre eles, destacam-se os que comprovam o potencial de microrganismos do guaranazeiro para agricultura e saúde humana e o do óleo de uma planta amazônica conhecida como pimenta-de-macaco (Piper aduncum) para controlar pragas, entre inúmeros outros.

Segundo ele, no caso da Amazônia, além das parcerias com o setor privado, é preciso valorizar a interação com as instituições governamentais para fazer com que as soluções tecnológicas cheguem às cadeias produtivas. “A Embrapa Acre, por exemplo, desenvolve ações em cooperação com as 22 prefeituras do estado”, destaca.

Outras ferramentas importantes nesse sentido são a capacitação e a comunicação. Valentim citou o E-campo, programa da Embrapa para formação de multiplicadores, que em 2020 já treinou mais de 170 mil pessoas, e programa Prosa Rural, que abrange cerca de 500 rádios. “Essa capilaridade é fundamental para levar o conhecimento técnico-científico às comunidades de agricultores amazônicos”, enfatizou.

Foto: Ronaldo Rosa

Levar tecnologia ao campo é o foco do Projeto Integrado da Amazônia
E é justamente na transferência de tecnologias geradas pela pesquisa agropecuária para as comunidades e povos amazônicos que está o foco do Projeto Integrado da Amazônia (PIAmz), financiado pelo Fundo Amazônia e operacionalizado pelo BNDES, coordenado pela pesquisadora da Embrapa Amazônia Oriental, Michelliny Bentes.

O projeto é desenvolvido pela Embrapa, em parceria com uma rede de instituições locais, e envolve estratégias e ações participativas para a recuperação, conservação e o uso sustentável dos recursos naturais do bioma Amazônia. “Buscamos promover a melhoria na condição produtiva das áreas de agricultura familiar, a agregação de valor aos produtos da biodiversidade e a geração de renda aos produtores familiares”, afirma a pesquisadora.

Segundo ela, o foco do PIAmz é fortalecer as formas tradicionais de uso da terra e, para isso, é fundamental investir na capacitação de produtores e agentes multiplicadores para levar as soluções tecnológicas da pesquisa à agricultura familiar. “A troca de saberes entre a ciência e as comunidades locais é a forma mais efetiva de levar o desenvolvimento sustentável à região amazônica. Por isso, precisamos somar e multiplicar conhecimento”, destacou.

A pesquisadora explica que um dos focos do projeto é investir em pesquisas com potencial de frear o desmatamento e a emissão de gases de efeito estufa, fortalecendo a economia de baixo carbono.

Para isso, o projeto integrado abrange 19 projetos distribuídos em 13 portfólios e executados por 14 unidades e mais de 100 parcerias externas. São quatro vertentes de atuação relacionadas à Política Nacional de Desmatamento: monitoramento e ordenamento territorial; restauração, manejo e extrativismo; tecnologias sustentáveis e pesca e aquicultura. “Essas vertentes são os eixos norteadores para reduzir a degradação no território”, pontuou.

O projeto engloba mais de 600 atividades e totaliza aproximadamente 300 resultados em prol das comunidades tradicionais do bioma.

Fernanda Diniz (MTb/DF 4685/89)
Secretaria de Pesquisa e Desenvolvimento (SPD)

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