Centro da Terra é fonte de energia constante e limpa

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O calor que vem das profundezas da Terra pode ser uma das fontes energéticas limpas e renováveis do nosso planeta.

Parece ficção científica, mas a energia geotérmica é realidade. Mesmo tendo sido utilizada pela primeira vez na Itália em 1904, é agora que o uso deste recurso está crescendo e ganhando o mundo.

Um levantamento recente feito pela BloombergNEF (BNEF) apontou que o investimento total em novas fontes de energia renováveis foi de US$ 132,4 bilhões no primeiro semestre de 2020, o que representa um aumento de 5% em relação a 2019 – quando o volume foi de US$ 125,8 bilhões.

Só o investimento em geradores de energia geotérmica aumentou 594%, passando para um valor aproximado de US$ 676 milhões, por ser uma fonte menos custosa e mais confiável.

Apesar do crescimento, a opção não é amplamente explorada. Atualmente, o recurso está presente somente em oitenta países e tem espaço para ser estendido a muitos outros territórios.

O potencial dessa modalidade é enorme, tanto para minimizar as emissões de gases do efeito estufa quanto para reduzir custos.

Como funciona a energia geotérmica?

A energia geotermal é, basicamente, o calor que vem da subsuperfície do planeta e está presente em rochas e fluidos sob a crosta terrestre e nas rochas em fusão, o magma.

Para criar geradores de energia utilizando este recurso, é preciso cavar poços em reservatórios subterrâneos para acessar o vapor e a água quente. São eles que irão acionar as turbinas conectadas aos equipamentos, que vão gerar eletricidade e alimentar as linhas de transmissão.

Existem três tipos diferentes de tecnologia: vapor seco, flash e binário. As de vapor seco, como o próprio nome indica, utilizam só o vapor retirado para acionar as turbinas dos geradores. É a forma mais antiga de usar a energia geotérmica.

Já as usinas flash bombeiam água quente do subsolo em águas frias de baixa pressão, enquanto que as usinas binárias têm um dispositivo para a troca de calor, passando a água quente por um líquido secundário com um ponto de ebulição mais baixo, que se transforma em vapor para acionar a turbina.

Vantagens

Ao recuperar os custos de investimento inicial, o potencial de economia oferecido pelos geradores de energia geotérmica é enorme.

Além disso, a emissão de CO2, o dióxido de carbono, oriunda da energia geotermal costuma ser seis vezes menor do que é o índice produzido por uma usina de gás natural.

É uma geradora sustentável e ininterrupta – funciona 24 horas por dia, podendo aquecer e iluminar casas, escritórios e indústrias.

Estados Unidos e Islândia são os países que mais utilizam a energia geotermal. Os americanos possuem o maior campo geotérmico do mundo, na Califórnia, de 117 quilômetros quadrados.

Já a pequena ilha europeia adota a técnica há mais de um século – 25% de sua energia vêm de cinco usinas geotérmicas. O fato de haver mais de duzentos vulcões e seiscentas fontes termais no seu território contribui para isso.

O principal ponto turístico islandês, inclusive, a Lagoa Azul – um lago artificial próximo à capital, Reykjavík -, recebe eletricidade e tem suas águas aquecidas graças a uma central geotérmica próxima.

Energias renovável e híbrida

Pode-se entender como energia renovável todas aquelas fontes que vêm de recursos naturais, como sol, vento, mares e a própria geotérmica.

Entretanto, nem todo recurso natural pode se renovar, como carvão e petróleo, que estão na natureza, mas podem se esgotar um dia. Por isso, é importante fazer a distinção.

Estudos recentes indicam que os custos das energias solar e eólica tendem a diminuir nos próximos anos, tornando-se bem mais acessíveis. A primeira pode sofrer uma queda 60%, enquanto que o preço da energia proveniente do vento deve cair até 70%.

Ainda que a energia renovável não seja capaz de atender 100% da demanda existente, nada impede que a mesma possa ser utilizada como parte integrante de uma geração híbrida (diesel/solar/bateria) em locais remotos, inclusive com equipamentos como geradores.

Sistemas isolados, regiões com deficiência na qualidade da rede concessionária e consumo intenso de geração à diesel são exemplos de situações nas quais o hibridismo pode trazer bons resultados.

Por Rafaela Rodrigues

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