Amazônia tem segundo maior número de alertas de desmatamento da série do Deter-B

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Hotspot directly in the forest, next to a freshly deforested area, with Deter warning, in Alta Floresta, Mato Grosso state. Every year, Greenpeace Brazil flies over the Amazon to monitor deforestation build up and forest fires. In July, 2020, flights were made over points with Deter (Real Time Deforestation Detection System) and fire warnings, made by Inpe (National Institute for Space Research), in Pará and Mato Grosso states. Foco de calor direto em floresta, próximo a área recém desmatada, com alerta Deter, em Alta Floresta (MT). Todos os anos, o Greenpeace Brasil realiza uma série de sobrevoos de monitoramento para registrar o avanço do desmatamento e das queimadas na Amazônia. Em julho de 2020, monitoramos pontos com alertas do Deter e de pontos de calor, do Inpe, nos estados do Pará e Mato Grosso.

Mesmo com leve queda no índice, na comparação com os números recordes do ano passado, 2020 segue com alertas de desmatamento acima da média

Com 6.099km², 2020 já é o segundo ano com mais alertas de desmatamento da série histórica anual, segundo dados do Sistema de Detecção do Desmatamento em Tempo Real (DETER). Na comparação com o ano passado, que fechou com o maior percentual de aumento no desmatamento da década, houve redução de apenas 5%.

Em agosto de 2020 foram 1.359km², a segunda maior marca para o mês, desde o início da série histórica, porém 21% menor do que em 2019, quando tivemos a marca máxima para o mês (1.714 km²). Do total de áreas com alertas, 55% correspondem a alertas de corte raso – quando toda a floresta é retirada, e 11% são cicatrizes de queimadas.

O Deter foi criado em 2004, com o objetivo de gerar informações em tempo real para subsidiar o trabalho de fiscalização e operações de combate ao desmatamento da Amazônia, permitindo que os órgãos de fiscalização e controle planejem com mais precisão suas atividades para coibir o desmatamento e as queimadas. Em 2015 entrou no ar o Deter-B, capaz de fornecer informações mais rápidas, precisas e com uma resolução espacial mais acurada.

O sistema aponta, ainda, a tendência da taxa oficial de desmatamento (Prodes), divulgada anualmente, considerando sempre o período de agosto de um ano a julho do ano seguinte.

Fogo continua

Infelizmente, com o auge da temporada seca na floresta, o ambiente continua vulnerável à incêndios criminosos e a conversão de florestas. Em julho houve aumento nas queimadas e agosto manteve praticamente o mesmo patamar do desastre do ano passado. Nos 10 primeiros dias de setembro, já chegamos ao assombroso número de 13.810 focos de queimadas, o que representa um aumento de 85% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Os desmatadores ilegais podem ter diminuído um pouco o ritmo da derrubada de florestas, mas o que vemos é o aumento assustador das queimadas, que é a outra face da mesma moeda do desmatamento.

“Esses números são reflexos da política antiambiental do governo e de suas ações comprovadamente ineficazes em conter a destruição, como uma moratória do fogo sem fiscalização e a Operação Verde Brasil 2”, afirma Rômulo batista, da campanha Amazônia do Greenpeace. O fogo é usado por fazendeiros e grileiros para remover a floresta ou quando ela já está derrubada e seca pelo sol, visando aumentar as áreas de pastagem ou agrícolas, especulação de terras e grilagem. Ou seja, os incêndios não ocorrem de forma natural na Amazônia. A prática se tornou ainda mais comum com a falta de fiscalização e desmantelamento dos órgãos ambientais promovido por este governo. A Amazônia enfrenta o câncer da política anti ambiental do governo e os sintomas são as queimadas recordes e taxas de alertas desmatamento nas alturas.

Antes que se vá, pedimos o seu apoio. Neste momento de quarentena, mantemos nossos escritórios fechados, mas nossa equipe segue de casa trabalhando em nossas campanhas, pesquisas e no monitoramento dos crimes ambientais. Sua doação é muito importante para que esse trabalho continue sendo feito com independência e qualidade, pois não recebemos recursos de governos e empresas.

Por Assessoria Greenpeace

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