Fogo no Pantanal ameaça sobrevivência de indígenas no Mato Grosso

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Com apoio logístico da Funai, WWF-Brasil acaba de doar cestas básicas para garantir a alimentação emergencial de 30 famílias

Por WWF-Brasil 

“Eu sempre vivi aqui nesta aldeia. Em todos esses anos, eu nunca tinha visto fumaça assim… É muita destruição da natureza… É muito ruim para a nossa saúde. As crianças e os idosos estão sofrendo muito… Afeta muito a saúde deles. O fogo destruiu quase toda a aldeia e com isso perdemos os nossos cultivos e estamos com muita dificuldade no momento em conseguir alimentos para todos nós”. Com a fala pausada e reflexiva de quem com muita preocupação lidera a comunidade que habita a Terra Indígena Perigara, localizada no município de Barão de Melgaço, Mato Grosso, o cacique Roberto Maridoprado lamenta as queimadas que já destruíram 75% da aldeia, mais de 8.000 hectares, de um total de 11.000.

Distante mais de 2 horas de Cuiabá, a capital do estado, a comunidade dos Boe-Bororo encontra-se envolta em caos: muitas casas estão destruídas, assim como os cultivos agrícolas e as palmeiras das quais tiram a palha para a confecção dos telhados das casas. Além disso adultos, idosos e crianças enfrentam, com medo, a pandemia do novo coronavírus que os mantém em isolamento para prevenir infecções. “Nossa comunidade não estava preparada para responder à pandemia e ao fogo ao mesmo tempo. Está sendo muito difícil vivenciar tudo isso e essa ajuda do WWF-Brasil veio no momento em que mais precisávamos. Só temos a agradecer por alguém lembrar que estamos aqui e que precisamos ainda de muita ajuda”, diz o cacique.

Os Boe-Bororo fazem da terra seu modo de vida e a devastação causada pelo fogo, aliada ao momento da pandemia, fez com que estejam em situação de grande vulnerabilidade. Diante do cenário preocupante, o WWF-Brasil tem se unido a diversas organizações da sociedade civil para dar suporte aos povos originários em situações emergenciais.

A Organização acaba de doar cestas básicas para 30 famílias Boe-Bororo da Terra Indígena Perigara, 105 pessoas entre crianças, adultos e idosos, com o apoio logístico da Funai, que deslocou uma equipe técnica até o local para entregar as cestas de alimentos.

“Nós entramos em contato com eles para mapear suas necessidades emergenciais e atender o que fosse possível. Nossa doação pretende minimizar o impacto do fogo que deixou os Boe-Bororo em situação de insegurança alimentar”, explica Osvaldo Barassi Gajardo, analista de conservação do WWF-Brasil.

Pantanal bate recordes de queimadas
Segundo o Inpe, nos 30 dias de setembro, o Pantanal acumulou 8.106 focos de calor, superando em 35% o recorde histórico de 5.993 focos registrado em agosto de 2005. Foi o maior número de focos desde que o Inpe começou o monitoramento em 1998. Em 2020, os focos de calor na região já somam 18.259, o triplo do que foi observado em 2019.

As chamas no Pantanal já consumiram cerca de 3,4 milhões de hectares desde o início do ano, o que corresponde a 23% do bioma. Espécies endêmicas de animais e plantas podem ter se perdido para sempre.

O WWF no Pantanal
A Organização atua há mais de 20 anos no Pantanal, em parceria com organizações locais. Diante da crise ambiental provocada pelas queimadas no bioma, têm sido priorizadas as ações que envolvem o envio de equipamentos de proteção e a realização de treinamentos para brigadistas, além da entrega de cestas básicas para comunidades locais.

As ações incluem ainda o apoio logístico para organizações sociais que atuam no Pantanal, além de articulações com entidades e governos locais, com o objetivo de conter o desastre ambiental no bioma.

IMPORTANTE: Todas as cestas básicas foram deixadas na entrada da aldeia e entregues por lideranças indígenas sem contato algum com pessoas de fora. Nas fotos, as máscaras não estão sendo utilizadas porque os indígenas isolados as dispensavam no dia a dia dentro de suas casas.

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