Indústria florestal mineira cresceu durante a pandemia e acena positivamente para 2021

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Após enfrentar forte crise no início da década, o setor está otimista em relação aos resultados para o próximo ano

O aquecimento das demandas externa e interna por produtos e subprodutos derivados da madeira aponta para uma recuperação da indústria florestal mineira. Essa é a aposta da Associação Mineira da Indústria Florestal (AMIF), representante das mais expressivas empresas de base florestal atuantes no estado, que prevê retorno dos investimentos no setor no próximo ano. De acordo com a presidente da entidade, Adriana Maugeri, o setor vinha mantendo o ritmo de crescimento dos dois últimos anos nos primeiros meses de 2020, mas, em função dos efeitos do início da pandemia na China, um dos principais países demandadores dos produtos e subprodutos, impactos eram esperados.  Ponto positivo é que o setor, nos meses de março e abril, reduziu o ritmo estrategicamente para receber os potenciais efeitos negativos da crise, o que se deve, segundo Maugeri, à organização e resiliência das empresas de base florestal. “Com planejamento estratégico em dia e a experiência adquirida em muitas crises vivenciadas anteriormente, a indústria se organizou para proteger o caixa frente às incertezas provocadas pela pandemia antes mesmo de sentir os seus efeitos”, explica.

Aliada à estratégia setorial, a AMIF destaca, ainda, a sinergia construída com o governo estadual, que classificou o setor no estado como sendo essencial, já que fornece insumos imprescindíveis para abastecer o mercado, como papel, carvão vegetal, aço e inox, matérias-primas para produção de equipamentos, energia e materiais hospitalares.

No final do primeiro semestre, com a demanda externa novamente aquecida, a retomada gradual da demanda interna e grande parte dos setores industriais consumidores de produtos da industrial florestal sendo considerados essenciais, o setor voltou a registrar expressivo crescimento na comercialização de alguns produtos, entre os quais se destacam o carvão vegetal, o aço, o ferro gusa, algumas ligas metálicas especiais, a celulose e o papel.   “Sem dúvida alguma, este período da pandemia, apesar de extremamente delicado e repleto de incertezas e tristes perdas, foi aproveitado de forma bastante positiva pela indústria florestal mineira. Em 2021 a tendência é da manutenção saudável do crescimento, porém com fundamentos econômicos mais sólidos e estruturais, não somente com o atendimento exponencial de uma demanda temporal”, ressalta Maugeri.

Para Ricardo Moura, diretor da Plantar, reflorestadora e produtora de carvão vegetal, os impactos observados pela empresa durante a pandemia se deram em função do aumento nos custos, mas não por falta de demanda por parte dos mercados interno e externo. “Não tivemos impacto nos resultados, mas tivemos aumento no custo em função das medidas protetivas necessárias para preservar a saúde dos nossos colaboradores, como ampliação no número dos ônibus que transportam o público interno, entre outras medidas. Para o próximo ano nossas perspectivas são as melhores possíveis. O mercado está comprador e estamos animados”.

Ferroligas

No segmento de ferroligas, uma diminuição da demanda foi registrada no primeiro semestre, mas as perspectivas para 2021 também são promissoras. “Percebemos redução da demanda de nossos produtos em setores da economia global e nacional no primeiro semestre, em especial das indústrias automobilística, química e siderurgia. Agora, estamos otimistas com as previsões de recuperação das atividades econômicas e crescimento do PIB e, claro, sempre atento às possíveis ondas de contágio até a definição da vacina”, disse o diretor-presidente da Minasligas, Henrique Zica.

Siderurgia

Para Wagner de Brito Barbosa, Diretor Geral ArcelorMittal Bioflorestas e Mina do Andrade, ainda é difícil fazer projeções, mas há uma expectativa de que o consumo de aço total no Brasil aumente cerca de 6,5% em 2021. “Estamos operando a ‘full capacity’, mesmo tendo que adotar todas as regras de distanciamento social e proteção das pessoas. Penso que aprendemos muito rápido como funcionar de forma diferente. Sobre o ano que vem, ainda é uma incógnita. Existem incertezas sobre os compromissos fiscais e o auxílio-emergencial. No entanto, a expectativa é de que o 1ª trimestre de 2021 seja aquecido motivado pela recuperação da cadeia de produção. Temos muito trabalho pela frente e estamos otimistas”.

Dependência do mercado externo

Na opinião de Maugeri, a pandemia fez com que as empresas percebessem o alto risco de dependência do mercado externo. “A pandemia escancarou o risco das fragilidades comerciais globais. Como em um jogo de xadrez, estamos à mercê dos movimentos chinês e norte-americanos. No cenário pós-pandemia acreditamos que haverá uma maior preocupação com a dependência de produtos vindos da China. O mercado interno já começa a estruturar projetos de nacionalização de equipamentos e ferramentas, por exemplo. Possuímos uma agroindústria forte, inovadora e responsável, com padrões de excelência global, porém enfrenta um alto custo-Brasil que reduz drasticamente nossa competitividade até mesmo com indústrias menos capacitadas no mundo. O desafio para o governo, para o setor produtivo e a sociedade está posto, basta nos direcionarmos com clareza para onde pretendemos chegar”.

Sobre os próximos anos, ela afirma que é preciso extrair as lições e ensinamentos da crise e aplicá-los a favor do crescimento do setor. “Há uma crença de que nas crises é que se encontram as maiores oportunidades. Acreditamos nisso sim desde que sejam colocadas em prática a capacidade de reinvenção, a resiliência e a busca constante por alternativas legais e que potencializemos resultados. Essas oportunidades se tornam ainda mais evidentes quando falamos de um setor que, ao produzir madeira de forma sustentável e com forte propósito de conservação ambiental, se destaca como um dos principais vetores econômicos e sustentáveis para a retomada do desenvolvimento de Minas Gerais, estado que detém a maior base florestal do país. Somos um setor que representa as premissas do desenvolvimento econômico verde e estamos prontos para contribuir em um novo ciclo promissor para nosso Estado”.

Sobre a AMIF

A AMIF representa a indústria de base florestal de Minas Gerais. São empresas que cultivam árvores de várias espécies com a finalidade de oferecer madeira para o mercado de forma renovável e sustentável. A grande maioria destas florestas possuem certificações internacionalmente reconhecidas que atestam esta sustentabilidade do seu manejo e origem. A madeira cultivada é utilizada principalmente para produção de painéis, pisos laminados, lápis, madeira serrada, madeira tratada, carvão vegetal, celulose. São produtos e subprodutos que estão presentes na vida 100% dos brasileiros, oferecendo bem-estar, conforto, higiene e praticidade. Hoje, a entidade defende as causas e direitos deste setor, trabalhando a favor do desenvolvimento e competitividade desta agroindústria e dos produtores florestais, responsáveis por produzirem um dos materiais mais nobres e limpos que a sociedade dispõe: a madeira. Este setor alimenta uma vasta cadeia de valor, gerando empregos, oportunidades de renda e valor nas áreas rurais e benefícios socioambientais.