Jovens decidem carreira após participarem de projeto de educação ambiental da SOS Mata Atlântica

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Imagine um lugar ao ar livre onde você tem a possibilidade de ouvir dezenas de sons de pásssaros? Que tem um viveiro onde é possível conhecer como se produz uma muda? Em que há a possibilidade de fazer uma trilha e encontrar uma árvore centenária, com seu enorme tronco? De ver um enorme lago e saber que dali pode vir a água que você bebe?

No Centro de Experimentos Florestais SOS Mata Atlântica –HEINEKEN Brasil, uma fazenda com mais de 500 hectares e com mais da metade de sua área em processo de restauração, é possível conhecer diversas espécies de árvores nativas e conhecer o processo de produção a partir da semente, fazer uma trilha interpretativa descobrir diversas espécies da fauna e da flora da Mata Atlântica, dentre elas, um Jequitibá centenário. E, ainda, saber um pouco mais sobre, provavelmente, sua própria casa: a Mata Atlântica, onde 72% da população brasileira vive. No local, também são realizadas atividades de mobilização, cursos,  capacitação e pesquisas.

Há 10 anos, a Fundação SOS Mata Atlântica e o Grupo HEINEKEN realizam no Centro de Experimentos o projeto ‘Aprendendo com a Mata Atlântica’, iniciativa de educação ambiental que proporciona uma verdadeira imersão na história e situação atual da Mata Atlântica, com diversas atividades em contato com a natureza desenvolvidas para grupos, principalmente para comunidades escolares. O projeto marca na memória daqueles que ali passam, transmitindo mensagens como a de que todos somos parte da natureza e que precisamos de um meio ambiente equilibrado. Com isso, o projeto busca essa aproximação das pessoas com o ambiente natural e busca incentivar o exercício da cidadania para as questões ambientais.

“Foi maravilhosamente incrível (visitar o projeto)! Eu posso dizer, com certeza, que foi uma das experiências mais marcantes que tive durante meu processo de escolarização. De início, o projeto me parecia apenas divertido, muito pelo fator da minha idade e pouca consciência sobre a importância dos temas ambientais. Porém, ao longo do meu crescimento, ficou cada vez mais claro que o projeto foi o que indicou o meu interesse nesses temas. Essa experiência também me fez perceber que eu tinha que trabalhar com as relações sociais e o meio ambiente”, afirma Pedro Gabriel Sarto, que em 2012, aos 10 anos, visitou o projeto com a escola SESI – unidade Salto/SP. Hoje, aos 18, comemora o fato de cursar Ecologia na Universidade Estadual Paulista (Unesp) Rio Claro.

A história de Pedro é apenas uma de muitas que podem ter sido influenciadas após a participação do projeto. Foram 218 instituições – dentre escolas dos ensinos Infantil, Fundamental, Médio, Técnico e Superior – que estiveram no CEF ao longo desses últimos 10 anos, incluindo 645 pessoas com deficiência. Os grupos vieram de 35 cidades dos estados do Paraná, Rio de Janeiro e São Paulo.

“Ver tudo que a gente já realizou nesses 10 anos nos dá a certeza de que em algum momento essa experiência pode fazer diferença na vida dessas pessoas”, afirma Kelly De Marchi, coordenadora de Educação Ambiental da Fundação SOS Mata Atlântica.

“Nós acreditamos em projetos de sustentabilidade que gerem impacto real e que incentivem a mudança comportamental, por meio da educação. A parceria com a SOS Mata Atlântica, promove além da recuperação ambiental, um programa de desenvolvimento educacional que já impactou mais de 40.000 crianças e adolescentes.  Nossa crença é em um mundo com mais ação e proximidade, por isso, estamos juntos desde 2007 colhendo resultados positivos e lutando por esse ideal”, conta Ornella Vilardo – gerente de sustentabilidade do Grupo HEINEKEN no Brasil.

As experiências vivenciais promovidas pelo projeto potencializam ainda mais o poder de transformação do contato com a natureza. Além disso, aprender a partir da experiência possibilita a conexão de informações, respeitando o tempo e a forma de cada um, buscando facilitar o aprendizado.

O projeto também já formou 191 educadores, que têm destacado a importância dessas atividades ao ar livre para dar novas perspectivas em relação às formas de ensino vigentes.

“Essas atividades promovem educação ambiental que é necessária para a criação de cidadãos conscientes sobre o meio ambiente, pois quem conhece e tem contato automaticamente cuida. Elas também evitam o transtorno de déficit de natureza, presente em muitas crianças e jovens por conta do mundo com pouca natureza que vivemos“, afirma Mariana Correa Azevedo, aluna participante do projeto em 2019 com a Escola Estadual Prof. Antônio Berreta, do município de de Itu/SP, que hoje também cursa Ecologia na Unesp Rio Claro.

“Esse contato parece ser o que mais gera engajamento, mesmo que não imediato. Quando aproveitamos os espaços de aprendizagem constante, como a infância, os alunos criam contato com os temas, mesmo que de forma lúdica, e depois, se tornam adultos conscientes desses temas“, reforçou Pedro Gabriel Sarto.

Além disso, para entender quais foram os principais saberes aprendidos a partir das atividades, em 2019 foi solicitado aos alunos do Ensino Fundamental II e Ensino Médio para destacarem o que aprenderam e não sabiam. Dos 2.086 respondentes, 38% destacaram que o conhecimento sobre biodiversidade foi que mais despertou curiosidade e que menos sabiam, em seguida veio a restauração da floresta, com 13%, e os remanescentes da Mata Atlântica, com 12%.

“Conseguimos observar toda a biodiversidade presente na Mata Atlântica, que normalmente não vimos no cotidiano, mesmo estando inseridos nesse bioma. Foi uma experiência única. Vimos também a estufa onde produzem as mudas de espécies nativas, o que me alegrou ainda mais ao pensar em outras áreas que podem ser restauradas. Na época, estava em dúvida se seguia a área de biológicas e o projeto me incentivou a continuar com o sonho de atuar na defesa do meio ambiente. Creio que todos os alunos da minha escola gostaram e que muitos saíram de lá com alguma mudança positiva”, reforça Mariana.

Em 2020, o projeto teve que interromper suas atividades presenciais temporariamente por conta da pandemia de Covid-19, mas em breve abrirá sua porteira para o público. Enquanto isso, os educadores ambientais têm analisado como oferecer novas estratégias de abordagens com os visitantes.

“Acredito que nesse momento de isolamento social, principalmente da comunidade escolar, muitas pessoas estão sentindo saudade de estar em ambientes ao ar livre e em contato com ambientes naturais. Espero que, assim que possível, consigamos fazer a retomada gradual das atividades do projeto em 2021, acolhendo os participantes e compartilhando reflexões frente a todo o contexto socioambiental que estamos vivendo, e que possamos contar mais histórias como a do Pedro e da Mariana.”, finaliza Kelly De Marchi.

 Sobre a Fundação SOS Mata Atlântica

A Fundação SOS Mata Atlântica é uma ONG ambiental brasileira criada em 1986 para inspirar a sociedade na defesa da floresta mais ameaçada do Brasil. Atua na promoção de políticas públicas para a conservação da Mata Atlântica por meio do monitoramento do bioma, produção de estudos, projetos demonstrativos, diálogo com setores públicos e privados, aprimoramento da legislação ambiental, comunicação e engajamento da sociedade em prol da restauração da floresta, valorização dos parques e reservas, água limpa e proteção do mar. Os projetos e campanhas da ONG dependem da ajuda de pessoas e empresas para continuar a existir. Saiba como você pode ajudar em www.sosma.org.br.