Comércio projeta crescimento de 4,2% para 2021 com retomada do consumo

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A partir da divulgação dos dados da Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), na quinta-feira (10), pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que apontaram o sexto crescimento consecutivo das vendas no varejo, levaram a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) a revisar de +1,9% para +2,3% a previsão para a variação do volume de vendas no comércio varejista, em 2020. A perspectiva de maior crescimento da economia no próximo ano, em um ambiente de juros ainda baixos para o padrão histórico do País, leva a entidade a projetar avanço de 4,2% em 2021.

O otimismo do setor parte da análise do volume de vendas no comércio varejista brasileiro avançou 0,9% no mês de outubro, de acordo com a PMC. No conceito ampliado, que considera os volumes de vendas no comércio automotivo e nas lojas de materiais de construção, o aumento foi mais expressivo (+2,1%) ante setembro.

“Acreditamos que o pior para o comércio já ficou para trás, e os dados do IBGE trazem motivos para mantermos o otimismo, mas o setor ainda terá muitos desafios pela frente. É importante lembrar que o varejo foi um dos segmentos da economia que mais sofreram com a pandemia. A recuperação agora vai depender, sobretudo, da disponibilidade de vacina para a população e de uma continuidade na expansão da demanda, com recuperação dos empregos”, avalia o presidente da CNC, José Roberto Tadros.

O impacto da pandemia do novo coronavirus afetou diretamente as vendas de varejo e o comércio de bens e serviços. “Diversos fatores ajudam a explicar o comportamento positivo das vendas pelo sexto mês consecutivo. A menor adesão espontânea ao isolamento social levou a uma maior circulação de consumidores no comércio, nos últimos meses. O Índice de Isolamento Social (IIS), medido pela empresa de consultoria Inloco, segue tendência decrescente no Brasil desde o início de abril. Essa evolução foi reforçada a partir de junho com a flexibilização dos decretos regionais, que permitiram a retomada gradual de diversas atividades econômicas e, com isso, reduziram o percentual de isolamento da população de 63%, ao fim de março, para os atuais 36% no início de dezembro”, analisa o economista da CNC Fabio Bentes.

Queda de consumo presencial

A pandemia provocou mudança no comportamento do consumidor, que preferiu os pedidos e compras pelo comércio eletrônico. Foi preciso readequar para acompanhar o novo hábito. De acordo com Bentes, com a queda do consumo presencial, os varejistas passaram a intensificar ações de vendas via e-commerce. Segundo levantamento da Receita Federal do Brasil, o volume de vendas no comércio eletrônico tem evoluído de forma acelerada nos últimos meses. De março a setembro, o faturamento real do e-commerce avançou 45% em termos reais, quando comparado ao mesmo período do ano passado. A quantidade de pedidos no varejo eletrônico, por sua vez, mais que dobrou, no mesmo período (+110%).

Recomposição do poder de compra

O isolamento social fez com que o consumidor escolhesse prioridades, o que afetou muitos segmentos do comércio. O desemprego e outras formas de renda foram impactadas e, assim, o consumo foi drasticamente reduzido no período mais crítico da pandemia. O economista Fabio Bentes destacaque, os programas adotados pelo governo, em especial o auxílio emergencial, tem ajudado na recomposição da massa de rendimentos, viabilizando a recuperação da capacidade de consumo da população, influenciada pelo ainda delicado quadro do mercado de trabalho.

Na comparação com o mesmo mês de 2019, houve crescimento pelo quinto mês consecutivo (+8,3%), registrando-se a maior taxa para meses de outubro desde 2012 (+9,2%) neste tipo de comparação.

“A tendência é que, nos últimos dois meses de 2020 e pelo menos no início de 2021, as taxas mensais de crescimento sejam menores do que aquelas registradas até agosto. Primeiramente, por conta da redução do valor do auxílio emergencial a partir de setembro e também pelas incertezas que rondam o setor diante do agravamento recente dos números da COVID-19”, observa Bentes.

Pronampe ampliado

Uma outra boa notícia para elevar o otimismo do comércio para o ano de 2021 vem da segurança legal com a ampliação do Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pronampe). O Plenário do Senado aprovou na quinta-feira (10) o projeto de lei que transforma em política pública permanente o Pronampe, que havia sido criado como sistema de crédito emergencial para a pandemia de covid-19. O programa também receberá mais recursos. O PL 4.139/2020 segue para a Câmara dos Deputados.

Com mais recursos para o setor e com a legislação favorável, o comércio acredita que haverá margens para a recuperação econômica das empresas. Com mais tempo para ajustar os negócios, o comércio deve voltar a crescer e gerar mais empregos, movimentando a dinâmica econômica.

De acordo com o relatório da senadora Kátia Abreu (PP-TO), o Pronampe passa a ser dividido em duas etapas. A primeira, vinculada diretamente aos efeitos da pandemia, mantém as regras atuais e permanece em vigor enquanto perdurar o decreto legislativo que estabelece o estado de calamidade pública (Decreto Legislativo 6, de 2020). A segunda se inicia após o encerramento do estado de calamidade e manterá vigentes os incentivos que vêm sendo fornecidos para as micros e pequenas empresas. A partir desse momento, o Pronampe seguirá regras que serão definidas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) e será financiado por dotações orçamentárias, emendas parlamentares e doações privadas.

 

Por Mundo e Meio com informações da CNC e Senado