Cerca de 8 milhões de quelônios foram soltos no rio Guaporé

0
560

Projeto ambiental trabalha no repovoamento das espécies que estavam em extinção no Vale do Guaporé

 

Mundo e Meio Notícia – com reportagem e imagens de R. Machado

 

A Praia da Tartaruguinha, no rio Guaporé, foi cenário de nova soltura de filhotes de quelônios, a primeira da temporada 200/201, realizada pela Associação EcoVale, uma organização não governamental que tem projeto ambiental para preservação de tartarugas amazônicas no Vale do Guaporé, em Rondônia.

Segundo os organizadores, no domingo (13), aconteceu a maior soltura já realizada com a impressionante marca de 8 milhões de filhotes entre tartarugas, tracajás e matá-matás. A reprodução é protegida para evitar ataques de predadores e, nessa temporada, foram contabilizadas em torno de 80 mil covas que em média são depositados em torno de 100 ovos em cada. Neste inverno, as chuvas chegaram mais tarde no Vale do Guaporé e isso foi favorável para os ambientalistas salvar as ninhadas.

Devido a Pandemia do novo coronavirus, o acesso a praia onde todos os anos ocorre a soltura, foi limitado e poucas pessoas tiveram o privilégio de acompanhar a maior realização de repovoamento de quelônios a um rio, e nesse caso, o privilegio foi para o rio Guaporé.

Importância

A preservação das espécies é importante porque servem para a cadeia alimentar de diversos peixes e repteis da bacia do Guaporé. As populações indígenas e comunidades tradicionais também consomem tartarugas em seus hábitos alimentares. O risco de extinção ocorre pela caçada predatória de pessoas que não são do lugar. O Projeto Quelônios surgiu como forma de recuperar o ciclo natural das espécies e garantir a sustentabilidade.

Predação

Apesar da enorme quantidade de quelônios soltos a cada temporada, os técnicos garantem que não há risco de causar superpopulação, sendo que apenas menos de 1% consegue chegar à idade adulta. A maioria é consumida pela cadeia alimentar dos rios e igarapés do Vale do Guaporé, sendo os principais: jacaré, piranha, pirara e demais predadores que ficam à espreita do retorno dos filhotinhos de quelônios aos rios.

Alerta

O presidente da EcoVale, Zeca Lula, pediu empenho dos órgãos governamentais no sentido de continuarem a apoiar o Projeto Quelônio, do Vale do Guaporé, não só durante a época da desova, bem como, durante todo o ano uma vez que os ciclos são diversos.

Outro alerta feito por Zeca Lula foi pela preservação total do Vale do Guaporé sendo que na região existem diversas árvores e plantas medicinais, ainda não catalogadas, que são alvos de cobiça internacional e faltam apoios para as instituições brasileiras desenvolverem suas pesquisas.

Parceiros

Estiveram presentes alguns representantes de entidades e parceiros que colaboram com o Projeto Quelônios, sendo: Adélio Barfaldi (Grupo Rovema), João Noma e Cláudio Ferdinandi (Cesumar), Marcelo Fernandes (Comar), técnicos da Sedam (Secretaria de Estado do Desenvolvimento Ambiental) e autoridades do município de São Francisco do Guaporé