Complexo ferroviário da lendária EFMM é revitalizado em Rondônia

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A Santo Antônio Energia concluiu a sua parte da revitalização do complexo da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, em Porto Velho. A obra teve duração de 16 meses e representa um investimento de R$ 23 milhões, com intervenções em todo o espaço público, que possui 115 mil metros quadrados, área equivalente a 16 campos de futebol.

Compensação social da Hidrelétrica Santo Antônio, as obras transformaram totalmente o complexo. Quatro galpões foram renovados e terão novos usos. Os galpões 1 e 2 serão museus, agora interligados por uma passarela coberta. O local recebeu pintura e piso novo, além da instalação de banheiros e do conserto de peças.

O segundo espaço ganhou um mezanino, com elevador, e mais iluminação, escada e banheiros. A novidade no galpão 2 é colocação de proteção de vidro nos trilhos da estrada de ferro que ficavam no local. Agora, as peças estão resguardadas e também visíveis para o público.

Já no galpão 3 (antiga Marinha) a laje foi inteiramente reconstruída, porque tinha a estrutura comprometida. Também houve substituição de todo o revestimento de paredes e cobertura. No piso inferior do local, haverá espaço para a comercialização de artesanato, enquanto o andar superior terá um restaurante com ampla sacada e vista para o Rio Madeira, também acessado por elevador.

O local onde está o galpão 4 foi totalmente limpo, ganhou salas comerciais e um espaço para uma reserva técnica, além de ter parte dos antigos equipamentos revitalizados. Todas as estruturas receberam intervenções para garantir acessibilidade ao público.

Entre os trabalhos realizados pela Santo Antônio Energia estão também a criação de posto policial, redes de drenagem interna, rede de coleta de esgoto com unidade de tratamento própria, instalações elétricas com subestações, estacionamentos para mais de 200 carros, circuito de caminhada e paisagismo.

“Foi uma obra bastante complexa, tendo em vista os detalhes construtivos. Fizemos tudo com muito carinho e estamos honrados de entregar essa parte importante da história de Rondônia e do Brasil para a Prefeitura de Porto Velho”, afirma Roberto Junqueira, presidente da Santo Antônio Energia.

A reabertura definitiva da praça da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré será feita pela prefeitura de Porto Velho nos próximos meses, após alguns ajustes finais de detalhes na obra. Haverá chamamento público relativo ao processo de licitação para a escolha da empresa administradora do espaço.

A lendária ferrovia

A Estrada de Ferro Madeira-Mamoré (EFMM) é uma ferrovia no atual estado de Rondônia, no Brasil, considerada um ícone ferroviário mundial.

Foi a 15ª ferrovia a ser construída no país, tendo as suas obras sido executadas entre 1907 e 1912. Estende-se por 366 quilômetros na Amazônia, ligando Porto Velho a Guajará-Mirim, cidades fundadas pela EFMM.

Após duas tentativas fracassadas para a sua construção no século XIX, espalhou-se o mito de que, mesmo com todo o dinheiro do mundo e metade de sua população trabalhando nas suas obras, seria impossível construí-la. O empreendedor estadunidense Percival Farquhar aceitou o desafio e teria afirmado “(…) vai ser o meu cartão de visitas“.

Foi a primeira grande obra de engenharia civil estadunidense fora dos EUA após o início das obras de construção do Canal do Panamá, na época então ainda em progresso. Com base naquela experiência, para amenizar as doenças tropicais que atingiram parte dos mais de 20 mil trabalhadores de 50 diferentes nacionalidades, Farquhar contratou o sanitarista brasileiro Oswaldo Cruz, que visitou o canteiro de obras e saneou a região.

A EFMM garantiu para o Brasil a posse da fronteira com a Bolívia e permitiu a colonização de vastas extensões do território amazônico, a partir da cidade de Porto Velho, fundada em 4 de julho de 1907.

Em 2011, o Governo do Estado de Rondônia condecorou in memoriam com a comenda Marechal Rondon, Percival Farquhar e os 876 americanos que comandaram a construção da ferrovia.