Crescimento da migração internacional desacelerou em 27%

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A pandemia de Covid-19 pode ter sido a causa de uma redução do crescimento da migração internacional. Até meados do ano passado, a queda era de 2 milhões de pessoas, o equivalente a 27% menos do que era esperado.

Os dados constam de um novo relatório, divulgado nesta sexta-feira, pela Divisão de População do Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais das Nações Unidas, Desa.

Na América Latina e Caribe, maioria da diáspora vive fora da região, Acnur/Felipe Irnaldo

Impacto

Em 2020, a pandemia interrompeu todas as formas de mobilidade humana por causa do confinamento social e fechamento de fronteiras. Além disso, as viagens foram suspensas.

O número de migrantes chegou a 281 milhões. Em 2010, eram 221 milhões. Na década passada: 173 milhões.

A quantidade atual de migrantes internacionais equivale a 3,6% da população mundial. Os migrantes desempenham um papel nas economias especialmente por causa do envio de remessas financeiras à casa.

Em comunicado, o subsecretário-geral para Assuntos Econômicos e Sociais, Liu Zhenmin, disse que o relatório “mostra como a pandemia impactou os meios de subsistência de milhões de migrantes e suas famílias e prejudicou o progresso na realização dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.”

Acolhimento

Segundo a pesquisa, dois terços de todos os migrantes vivem em apenas 20 países.

Os Estados Unidos seguem como maior destino. Ao todo, são 51 milhões de pessoas, ou seja: quase dois de cada 10 migrantes vive lá.

A Alemanha vem em segundo lugar, com cerca de 16 milhões, seguida pela Arábia Saudita, com 13 milhões, a Rússia, com 12 milhões, e o Reino Unido com 9 milhões.

Diásporas

A Índia lidera a lista dos países com as maiores diásporas no mundo. Em 2020, eram 18 milhões de indianos vivendo fora.

México e Rússia têm milhões, cada, de cidadãos vivendo fora. China reúne 10 milhões e Síria 8 milhões.

As diásporas contribuem para o desenvolvimento dos seus países através da promoção do investimento estrangeiro, comércio, acesso à tecnologia e inclusão financeira.

Migrantes na Índia recebendo apoio humanitários, PMA Índia

Apesar disso, o Banco Mundial projeta que a pandemia reduziu o volume de remessas a nações de baixa e média rendas em cerca de US$ 78 bilhões, uma queda de 14 %.

Segundo a pesquisa, estratégias nacionais e cooperação internacional serão necessárias para mitigar os efeitos dessa perda.

Regiões

Entre as principais regiões que abrigam o maior número de migrantes está a Europa com 87 milhões. A América do Norte abriu as portas para 59 milhões, e o norte da África e a Ásia Ocidental deram as boas-vindas a quase 50 milhões.

No ano passado, quase metade de todos os migrantes internacionais residia em sua região de origem. Na Europa, por exemplo, 70% dos migrantes nasceram em outro país europeu.  Na África Subsaariana essa proporção era de 63%.

Por outro lado, a Ásia Central e do Sul tinha a maior parte de sua diáspora residindo fora da região, assim como América Latina e Caribe.

Quase dois terços de todos os migrantes internacionais vivem em países de alta renda, em contraste com apenas 31% em países de renda média e cerca de 4% em países de baixa renda.

Refugiados

No ano passado, os países de baixa e média renda receberam 80% dos refugiados. Esta população representou cerca de 3% de todos os migrantes internacionais em países de alta renda, em comparação com 25% nos países de renda média e 50% em países de baixa renda.

Em 2020, os refugiados perfaziam 12% de todos os migrantes internacionais. Vinte anos antes, em 2000, eram cerca de 9,5%.

Crise econômica dificultou envio de remessas para muitos migrantes, by Pnud/Dhiraj Singh

Segundo a pesquisa da ONU, isso mostra que os deslocamentos forçados continuam aumentando mais rapidamente do que a migração voluntária.

Entre 2000 e 2020, o número de pessoas que fugiram de conflitos, crises, perseguições, violência ou violações dos direitos humanos dobrou de 17 milhões para 34 milhões.

Perfil

Quase metade de todos os migrantes internacionais em todo o mundo eram mulheres ou meninas.

Em 2020, o número de mulheres migrantes excedeu ligeiramente os homens migrantes na Europa, América do Norte e Oceania, parcialmente devido a uma maior expectativa de vida das mulheres em relação aos homens.

Na África Subsaariana e na Ásia Ocidental, eles tendem a exceder significativamente o número de mulheres devido à migração temporária por questões de trabalho.

Migrantes também continuam sendo, sobretudo, pessoas em idade produtiva.

No ano passado, 73% deles tinham entre 20 e 64 anos, em comparação com 57% da população total.