Conheça um animal de cada bioma brasileiro

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Nosso país está em 1º lugar no ranking mundial de diversidade

Por Taís Meireles

Com mais de 8 milhões de km², o Brasil está em 1º lugar no ranking mundial de diversidade. De acordo com o Ministério do Meio Ambiente, são mais de 15 milhões de espécies, incluindo animais, plantas e insetos. Além da variedade incrível, nosso país se destaca pelo grau de endemismo, ou seja, de espécies que ocorrem exclusivamente por aqui.

Para se ter uma ideia, só de espécies vegetais, nós temos 55 mil espécies, 22% do total do planeta. Das 524 espécies de mamíferos que vivem aqui, 131 são endêmicas; das 517 de anfíbios, 294 são endêmicas; das 1.622 de aves, 191 são endêmicas; e das 468 de répteis, 172 são endêmicas. Isso sem contar nas 3 mil espécies de peixes de água doce e entre 10 e 15 milhões de insetos.

Já falamos aqui sobre as árvores e hoje vamos apresentar um animal de cada bioma brasileiro.

O bioma que nos torna mais famoso mundo afora é na verdade dividido com Bolívia, Colômbia, Equador, Guiana, Peru e Venezuela. Ainda assim, mais de 60% dele está em território nacional. Para se ter uma ideia de sua grandiosidade, se a Amazônia fosse um país, seria o 7º maior do mundo.

Por lá, já foram classificadas pelos cientistas mais de 17 mil espécies, sendo que muitas nem sequer foram descobertas ainda. Dentre os destaques, está o maior golfinho de água doce do mundo.

Protagonista de muitas lendas da Amazônia, o boto-cor-de-rosa (Inia geoffrensis) é um indicador da qualidade da água e equilíbrio dos rios. Tem olhos bem pequenos e focinho alongado, mas sua simpatia não impede que ele sofra duas grandes ameaças:  a pesca incidental e o isolamento das populações pela construção de hidrelétricas.

Para proteger o boto-cor-de-rosa, o WWF se uniu aos parceiros Faunagua, Fundação Omacha, Instituto Mamirauá, Instituto Aqualie, entre outros, na Iniciativa Botos da América do Sul. Para apoiar esse e outros trabalhos do WWF-Brasil na conservação da Amazônia, faça uma adoção simbólica do boto.

No idioma tupi, Caatinga quer dizer Mata Branca, referente à vegetação sem folhas que predomina durante a época de seca no bioma. A Caatinga ocupa quase 10% do território brasileiro e tem 327 espécies animais endêmicas e 323 espécies vegetais endêmicas. Infelizmente, cerca de metade da paisagem do bioma já foi deteriorada pela ação do homem e hoje entre 15% e 20% da Caatinga está em alto grau de degradação (com risco de desertificação).

Entre as espécies da região, está a ave com um dos maiores riscos de extinção no Brasil, a ararinha-azul (Cyanopsitta spixii). Vítima do tráfico de animais silvestres, ela havia sido declarada oficialmente extinta na natureza em 2000, mas duas décadas depois, está de volta!

Em março de 2020, 52 ararinhas-azuis (26 machos e 26 fêmeas) foram devolvidas à Caatinga por meio de um programa de reprodução em cativeiro realizado por uma organização da Alemanha, em parceria com o governo brasileiro.

Você pode apoiar a ararinha-azul e outras espécies ameaçadas pelo tráfico de animais silvestres e o desmatamento, sendo um ativista virtual.

Em seus mais de 2 milhões de km² de extensão, o Cerrado é rico em raízes, cascas, resinas, óleos, folhas, argilas, água, e outros diversos recursos naturais, que são minuciosamente manejados por seus povos na prática da medicina popular.

Também é neste bioma que se encontram as cabeceiras da maioria dos principais rios e bacias hidrográficas do país –Xingu, São Francisco, Araguaia-Tocantins, Parnaíba, Tapajós, afluentes do rio Paraná e todos os rios que formam o Pantanal. Das 12 principais bacias hidrográficas brasileiras, oito são irrigadas pelas águas que nascem no Cerrado.

O bioma também é a casa de pelo menos 227 espécies de mamíferos. Muitos deles encontram-se ameaçada de extinção, como o tatu-canastra (Priodontes maximus), considerado o maior tatu do mundo, com até 1,5m de comprimento e até 60kg.

Além de ser o maior, é o mais raro tatu do mundo. A espécie encontra-se nas listas nacional e mundial de espécies ameaçadas de extinção, classificada como vulnerável.

A caça e a perda de habitat são as principais ameaças ao tatu-canastra, que raramente é encontrado em habitats alterados -hoje 47% da área original do Cerrado já foi convertida para outros usos. Seja um ativista virtual e ajude a proteger o Cerrado, um dos biomas mais ameaçados do Brasil.

O bioma mais populoso do Brasil e recordista mundial em biodiversidade, também é uma das florestas mais ameaçadas do planeta, com apenas 12,4% de sua área original (Atlas SOS Mata Atlântica 2019). A Mata Atlântica é essencial para a biodiversidade, estabilização do clima, fornecimento de água, conservação do solo, vida e bem-estar de todos que vivem nela.

São cerca de 1.020 espécies de aves, 20.000 de árvores e arbustos, e 298 de mamíferos vivendo na Mata Atlântica. Dentre eles, o muriqui-do-sul (Brachyteles arachnoides), também conhecido como mono carvoeiro e apelidado de macaco do abraço, por seus membros alongados.

O maior primata das Américas é também considerado um dos maiores “restauradores da floresta”, pois, em apenas um dia, pode dispersar sementes de até oito espécies de plantas. Com isso, o muriqui ajuda a conservar a Mata Atlântica, que abriga mananciais de água potável que abastecem os grandes centros urbanos do sudeste do Brasil.

Assim como muitas outras espécies, o muriqui-do-sul está criticamente ameaçado de extinção – restam pouco mais de 1.200 indivíduos na natureza, que estão fragmentados em mais de 20 grupos. As maiores ameaças são a perda de habitat natural e a caça. Você pode ajudar a protegê-lo adotando simbolicamente a espécie e colaborando com o trabalho do WWF-Brasil na Mata Atlântica.

A costa brasileira tem 9 mil km de extensão e abriga um ecossistema único com 3 mil km de recifes de corais e 12% dos manguezais do mundo. Uma das espécies endêmicas dos nossos mares é a toninha (Pontoporia blainvillei), um tipo de golfinho que ocorre desde o Espírito Santo até o Rio Grande do Sul, e também na Argentina e no Uruguai. Infelizmente, é uma das principais espécies de cetáceos ameaçadas de extinção no Brasil e precisa ser protegida de sua principal ameaça: a captura acidental em redes de pesca.

Ao mesmo tempo em que é um dos golfinhos mais ameaçados, é também um dos menos conhecidos, porque é muito difícil vê-los vivos, interagindo. Diferente de outros golfinhos, a toninha não salta na água, foge ao ouvir o som de embarcações e não costuma nadar em grandes grupos. Todas essas características, dificultam o trabalho de pesquisadores de diferentes instituições que vêm estudando o animal há duas décadas para auxiliar na sua conservação.

Para ajudá-los, você pode começar lendo o Guia de Consumo Responsável de Pescado Brasil, um estudo do WWF-Brasil que mostra quais tipos de produção de pescado (pesca e aquicultura) causam menos impactos no meio ambiente -inclusive na toninha- e quais as espécies de peixes, crustáceos e moluscos são indicadas para consumo ou devem ser evitadas.

Restrito ao estado do Rio Grande do Sul, o Pampa é um bioma caracterizado por suas serras e planícies, indo de morros rupestres até colinas. O veado-campeiro (Ozotoceros bezoarticus), também conhecido como veado-branco e, em países vizinhos de língua espanhola, como ciervo de las pampas, ciervo pampero, venado pampero e venado de campo, é uma das mais de 100 espécies de mamíferos terrestres que vivem na região.

Vivem em pequenos grupos de cinco ou seis indivíduos e cada animal pesa entre 30 e 40 quilos. Os machos possuem chifres ramificados, que são trocados anualmente.

Visto pela primeira vez pelos cientistas em 1758, hoje o animal ocupa apenas 2% de sua área de distribuição original. Ocupa áreas abertas e, originalmente, estava presente em todo o Cerrado brasileiro, Pantanal e Campos Sulinos em numerosas populações, estimadas em dezenas de milhões de indivíduos. Agora, estima-se que a espécie não possua mais que 100 mil indivíduos.

O Pantanal possui uma rica biodiversidade. É o berço 4.700 espécies, entre animais e plantas. Só de aves são 656 espécies, dentre elas, o tuiuiú (Jabiru micteria), ave-símbolo do Pantanal. Maior iconídeo do bioma, essa ave chega a ter mais de 2 metros de envergadura com as asas abertas.

O tuiuiú pode ser encontrado nos mais diversos habitats, com maior abundância nas áreas de savana (campo/cerrado), que consiste em gramíneas altas, com arbustos e florestas. Ave migratória, predomina no Pantanal entre abril e dezembro.

Durante toda a vida, o tuiuiú tem apenas um ninho, bem grande (de até três metros), que acomoda seus quatro ovos, que são cuidados tanto pelo macho quanto pela fêmea até os filhotes completarem três meses. Por isso, depende de habitats conservados, longe de desmatamento e queimadas.

Para conservar o tuiuiú e as demais espécies do Pantanal, o WWF-Brasil atua diretamente em projetos que promovem o equilíbrio entre o desenvolvimento da região e a conservação da natureza. Neste ano, também apoiamos os trabalhos de combate ao fogo, na maior temporada de queimadas do Pantanal das últimas décadas.

O avanço do desmatamento, caça e doenças transmitidas por animais de criação humana são as principais ameaças. Sua sobrevivência depende da criação de unidades de conservação, mais estudos científicos, combate à presença de animais domésticos dentro de unidades de conservação, coibição da caça, entre outras ações.

Infelizmente, o que todas as espécies de animais dos sete biomas brasileiros têm em comum é a ameaça à sua sobrevivência. Segundo o Relatório Planeta Vivo 2020, da Rede WWF, as populações de animais tiveram uma queda alarmante de 68% desde 1970.

Se a natureza não tiver futuro, nós também não teremos. Faça uma doação e nos ajude a proteger a vida. Inclusive a sua: http://wwf.org.br/doe