Moçambique repara estragos após passagem de ciclone, que desabrigou milhares

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O ciclone tropical Eloíse*, que atingiu a região central de Moçambique, afetou pelo menos 176 mil pessoas. Com ventos de até 160km/h, ele chegou à cidade da Beira matando pelo menos seis pessoas e ferindo 12.

Agências das Nações Unidas se deslocaram ao terreno antes do fim de semana, quando a tempestade saiu do país vizinho Zimbábue a caminho de Moçambique. Pelo menos 8 mil pessoas tiveram que fugir de suas casas e 5 mil foram evacuadas para abrigos improvisados.

Ciclone Tropical Eloise provoca 6 mortes e afeta 176 mil pessoas, Unicef Moçambique/Ricardo Franco

Danos

Eloíse passou pela costa de Sofala no sábado tendo como epicentro o distrito de Búzi. Essa é mesma região de uma outra tempestade, Chalane, que atravessou a área há menos de um mês. A área já havia sido atingida em 2019 pelo ciclone Idai que devastou o local.

Desta vez, foram criados 28 centros de acomodação, a maior parte em Sofala, onde 26 estão acolhendo 8.149 pessoas. Dois centros na província de Manica receberam 214 pessoas.

Mais de 2 mil casas foram destruídas e 5 mil parcialmente danificadas. A infraestrutura pública também foi afetada, com 26 unidades hospitalares e 37 estradas danificadas.

Além disso, 160 salas de aula sofreram danos e 142 mil hectares de lavouras estão inundados.

Nações Unidas

Várias agências das Nações Unidas incluindo Unicef e o Programa Mundial de Alimentos, PMS, estão cooperando com o governo para avaliar os danos e coordenar a resposta humanitária.

O Fundo das Nações Unidas para a Infância, por exemplo, está no bairro da Praia Nova, na cidade da Beira, um dos mais afetados.

Unicef avalia os danos causados no bairro Praia Nova, na Beira, Unicef Moçambique/Ricardo Franco

No Twitter, a agência destacou abrigo, água, cuidados médicos e proteção de crianças contra abuso e exploração como as necessidades mais imediatas.

Linha Verde

Já o Programa Mundial de Alimentos, PMA, está apoiando a linha de emergência do centro de operações nacionais.

A Linha Verde recebeu 312 chamadas desde o início do desastre natural. Duas mensagens escritas de prevenção foram enviadas a quase 14 mil números nas províncias afetadas.

A agência afirmou ainda que “está preparada para distribuir alimentos para os mais necessitados.”

O ONU-Habitat está no terreno com o governo e outros parceiros avaliando os danos em áreas urbanas. Segundo a agência, “eventos climáticos extremos estão aumentando em Moçambique” e “soluções sustentáveis inclusivas são as mais necessárias para adaptação ao clima.”

*Com reportagem de Ouri Pota, correspondente da ONU News em Maputo, Moçambique. 

Unicef Moçambique/Ricardo Franco
Os danos causados pelo ciclone Eloise no bairro Praia Nova na Beira, em Moçambique.