Fundo Social do Imaflora apoia comunidades locais para a certificação

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Parte dos recursos dos contratos firmados pela instituição é destinado a subsidiar certificações de pequenos produtores

São Paulo, 18 de fevereiro de 2021 – O Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora) é uma organização fundada há 25 anos, com o compromisso de demonstrar que é possível unir produção e conservação, combinando benefícios às pessoas, ao meio ambiente e à economia. No entanto, parte pouco conhecida da história dessa organização que também é uma certificadora é a do seu Fundo Social. Uma ferramenta que permite levar as certificações aos pequenos produtores e às comunidades locais, contribuindo para a melhoria da qualidade de vida dessas populações.

A iniciativa funciona assim: para cada contrato de certificação firmado pelo o instituto com uma empresa, 5% dos recursos são destinados para o subsídio de certificações de pequenos produtores de comunidades indígenas, quilombolas e ribeirinhas, agricultores familiares e apoio a projetos sociais. Com isso, eles têm acesso a certificações que ajudam a melhorar seus sistemas de gestão e que agregam valor a seus produtos, além de conseguirem acesso a mercados que valorizam esse modo de produção que mantém a floresta em pé.

Além disso, o Fundo Social tem como objetivo, também, realizar investimentos e financiar projetos que fortaleçam as atividades das comunidades beneficiadas. Em 2020, foram R$ 300 mil investidos, beneficiando 19 instituições. Entre 2013 e 2017, o montante investido foi de mais um milhão de reais.

Benefícios à comunidade

Entre os beneficiários do programa, está a Cooperativa de Produção e Extrativismo Sustentável da Floresta Indígena Garah Itxa, do Povo Paiter Suruí, localizada na Terra Indígena Sete de Setembro, em Cacoal, Rondônia. Em 2016, eles receberam a certificação florestal de manejo de baixa intensidade FSC® (Forest Stewardship Council®) para a produção de castanha-do-Brasil. Cerca de 69 trabalhadores já foram beneficiados em duas comunidades indígenas, em quase 500 hectares de manejo certificado.

Almir Narayamoga Suruí, líder do povo indígena, afirma que a certificação é uma forma de reconhecimento ao trabalho desenvolvido pela comunidade. “A certificação valoriza o produto da floresta, porque a nossa meta é levar produto da floresta de qualidade aos consumidores”, afirma. Para ele, a certificação reconhece, também, a produção da castanha que “respeita os critérios ambientais e a vida social de todos os envolvidos, principalmente os povos indígenas”, disse.

Almir conta que possivelmente, sem o apoio do Fundo Social do Imaflora, a comunidade não conseguiria acessar a certificação. “O fundo social foi importante porque esse tipo de desafio nós não conseguiríamos realizar sozinhos” relatou.

“Entendo a certificação também como uma ferramenta da gestão”, Almir afirma ainda que a comunidade trabalha para manter os padrões da certificação – que devem ser avaliados anualmente em ciclos de cinco anos – como forma de mostrar que é possível trabalhar com responsabilidade. “Seremos sempre capazes de acreditar que podemos construir nosso próprio destino, sabendo que o desenvolvimento sustentável é um instrumento importante para o futuro das novas gerações”, afirmou o líder indígena.

Outra iniciativa beneficiária é a Cooperar (Cooperativa Agroextrativista do Médio Mapiá e Médio Purus), localizada na Vila – Céu de Mapiá, no município de Boca do Acre, no Amazonas. Eles foram financiados pelo Fundo Social em 2019, para a certificação de manejo florestal madeireiro em pequena escala e de baixa intensidade. No total, 42 trabalhadores foram beneficiados, em uma área total de mil hectares, com 712 hectares de produção e 156 hectares de áreas protegidas.

Pedro Christo Brandão, Engenheiro Florestal e responsável técnico do Plano de Manejo Florestal Sustentável da Vila Céu do Mapiá, conta que o apoio do Fundo Social do Imaflora à Cooperar permitiu viabilizar a certificação do manejo florestal comunitário da Vila Céu do Mapiá logo no segundo ano de operação. “São muitos os benefícios que já começaram a ser percebidos desde a primeira oficina introdutória de sensibilização, que antecedeu o início da primeira auditoria”, conta Pedro.

Ele cita como benefícios a conscientização dos manejadores, quanto à importância dos sistemas de monitoramento e controle ao longo da cadeia produtiva, assim como quanto ao uso dos EPI, melhorias na gestão dos resíduos e na estrutura do alojamento.

Segundo Pedro, como benefícios também foram observados o estímulo à consolidação de práticas de gestão integradas e com evidências, além das diversas melhorias desenvolvidas a partir das observações e não conformidades indicadas na auditoria inicial.

Para ele, a visão de uma auditoria externa focada em orientar melhorias positivas fortalece a sustentabilidade do projeto em todas as suas dimensões, quais sejam: ecológica, social, econômica e cultural. “A certificação traz também uma valorização por parte da sociedade e dos apoiadores com relação ao projeto e à madeira por ele produzida”, afirma.

“A existência do fundo social é reconhecida pela equipe da Cooperar como de extrema importância no desenvolvimento das atividades de manejo comunitário certificado na Amazônia, e motiva a melhoria continuada com consistência e qualidade, ampliando os horizontes e perspectivas de participar de mercados diferenciados no Brasil e no exterior”, afirma o engenheiro florestal.

Como funciona a seleção

A seleção das comunidades e projetos para receber o apoio do Fundo Social é feita anualmente pela direção da entidade de acordo com o montante disponível. “Anualmente recebemos todas as demandas de comunidades e pequenos produtores, organizamos e avaliamos a pertinência e impacto que cada investimento do Fundo Social pode representar, todo esse processo é definido em nossas políticas internas e cada aporte feito para nós é uma conquista”, explica Leonardo Sobral, Gerente de Certificação Florestal do Imaflora.

Para saber mais sobre o Fundo Social, acesse https://www.imaflora.org/central-de-relacionamento