Santuário do Caraça reforça a importância do Dia Mundial da Vida Selvagem

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Data comemorada no dia 3 de março celebra a multiplicidade das espécies e faz alerta sobre os perigos que ameaçam a natureza

O Santuário do Caraça (Estrada do Caraça, Km 9 – entre os municípios de Catas Altas e Santa Bárbara), conhecido em todo o mundo pelas belezas naturais, fauna e flora, é um destino lembrado na ocasião do Dia Mundial da Vida Selvagem em 3 de março.  A data foi criada no ano de 2013 pela Organização das Nações Unidas (ONU), com o objetivo de celebrar a multiplicidade das espécies e alertar sobre os perigos que ameaçam a natureza.

De acordo com Márcio Mol, gerente geral do Santuário do Caraça, o Dia Mundial da Vida Selvagem mantém vivo o cuidado e uso responsável dos recursos naturais. “No Santuário do Caraça temos como nosso grande atrativo toda a exuberância das matas, piscinas naturais, cachoeiras, fauna e flora endêmica. Temos como responsabilidade cuidar e evitar qualquer tipo de degradação. Esta data é celebrada no dia 3 de março, mas a importância deve ser lembrada durante todo o ano, pois a preservação da natureza está sempre em primeiro lugar e o nosso objetivo é criar essa consciência na sociedade como um todo”, comenta.

O Santuário do Caraça recebe visitantes durante todo o ano e a administração do destino turístico tem como foco orientar as pessoas que se dirigem ao local sobre a importância da preservação ambiental. “É preciso preservar as plantas, os animais e tudo que a natureza nos oferece. No Santuário do Caraça, todos os colaboradores que trabalham conosco têm total consciência de que é preciso cuidar para manter toda essa beleza viva e saudável, tanto que sempre falamos para os visitantes sobre os cuidados que são necessários na visitação das matas e rios. Esse é um presente divino que temos que manter com carinho para que as próximas gerações também possam desfrutar”, conclui Márcio Mol.

Sobre o Santuário do Caraça

O complexo é tombado como Patrimônio Histórico e Artístico Nacional e Estadual. Foi escolhido como uma das Sete Maravilhas da Estrada Real. Conta com um amplo Conjunto Arquitetônico onde estão a primeira igreja de estilo neogótico do Brasil, o prédio do antigo Colégio (hoje Museu e Biblioteca), o hotel com 57 apartamentos e quartos, com capacidade para até 230 pessoas, e a Fazenda do Engenho, com 26 apartamentos.

O local possui enorme diversidade de fauna e flora, com raridades de animais e plantas no meio ambiente. Na ampla diversidade de sua fauna, há 386 espécies de aves, 42 espécies de répteis, 12 espécies de peixes e 76 espécies de mamíferos.

A Reserva Particular do Patrimônio Natural do Santuário do Caraça faz parte de duas importantes reservas ecológicas, as Reservas da Biosfera da Serra do Espinhaço Sul e a da Mata Atlântica, onde há diversas espécies de flora e fauna, algumas encontradas somente no Complexo do Santuário do Caraça, que fica na transição entre Mata Atlântica e Cerrado, onde também há campos rupestres. Em suas serras há nascentes, ribeirões e lagos que possuem águas de coloração escura, que carreiam material orgânico em suspensão.

Seu solo é rico em minérios, explorados nos séculos anteriores, e com grande concentração de quartzito ou rocha metamórfica. Desde 2011, passou a ser preservado contra exploração comercial. O clima tem baixas temperaturas e elevada umidade do ar, comuns em ambientes de mata.

O território do Complexo do Caraça integra a Área de Proteção Ambiental ao Sul da Região Metropolitana de BH, onde começam duas grandes bacias hidrográficas, a do rio São Francisco e a do rio Doce, que abastecem aproximadamente 70% da população de Belo Horizonte e 50% da população de sua região metropolitana.

O famoso lobo

A tradição de aguardar a visita do lobo todos os dias à noite começou no Caraça em maio de 1982, quando algumas lixeiras começaram a aparecer derrubadas e reviradas. Num primeiro momento pensou-se que isto poderia ser causado por cachorros. Começou-se a observar e se descobriu que o grande cachorro que revirava as lixeiras do Santuário era na verdade o Chrysocyon brachyurus, que quer dizer “animal dourado de cauda curta”. É chamado Guará porque em tupi-guarani, na língua dos indígenas, guará significa “vermelho”. Desde então, começaram a colocar bandejas de carne nos dois portões da frente da casa e aos poucos os lobos se aproximaram da escada da igreja. Hoje, a bandeja é colocada no adro da igreja, onde têm ido comer, além do lobo-guará, cachorros-do-mato e uma anta.

A prática de alimentar esses animais ali na Casa só persiste até os dias atuais porque o seu hábito de caça não foi comprometido. Por este motivo o lobo-guará não tem hora de aparecer. O tempo de espera da aparição do animal é conhecido como “hora do lobo”, a partir das 18h30. Enquanto o lobo não vem, o Caraça proporciona aos hóspedes um tempo de informação e educação ambiental. Além do famoso lobo-guará, uma anta eventualmente também surpreende os hóspedes do local. Além deles, o visitante pode ainda cruzar com outras 76 espécies de mamíferos que habitam a reserva ambiental do Santuário do Caraça.