Novo guia da ONU apoia decisões financeiras em favor da saúde dos oceanos

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Programa para o Meio Ambiente, Pnuma, realça sugestões para bancos, seguradoras e investidores; publicação baseia-se em exemplos de organizações que com ativos acima de US$ 6 trilhões.

Uma nova publicação para instituições financeiras pretende apoiar decisões em favor dos oceanos na hora de concessão de empréstimos, investimentos ou análises.

O guia definindo cinco setores-chave prioriza produtos do mar, incluindo as pescas e a aquicultura, bem como as cadeias de abastecimento.

Princípios

Também serão beneficiados portos, transporte marítimo, energia marinha renovável, principalmente a eólica offshore e, por fim, o turismo costeiro e do mar com primazia à indústria de cruzeiros.

Coral Reef Image Bank/Yen-Yi Lee
Um dólar investido em recursos sustentáveis dos oceanos pode haver um retorno cinco vezes maior em benefícios globais

 

A base da Iniciativa Financeira do Programa da ONU para o Meio Ambiente, Pnuma FI, são Princípios Financeiros da Economia Azul Sustentável. A parceria junta mais de 50 instituições cuja soma de ativos ultrapassa US$ 6 trilhões.

As práticas dessas organizações e seus especialistas promovem um crescimento sustentável. Os casos têm um vínculo com o financiamento privado e destacam referências, recomendações e perigos.

Mais de 70% da superfície da Terra são cobertos por oceanos. Eles contêm 97% das águas e 80% das formas de vida do planeta.

Economia Azul

A base de setores como turismo, transporte marítimo, pesca, aquicultura e energia marinha renovável contribuiu para a chamada economia “azul”, com um valor bruto global de US$ 1,5 trilhão em 2010.

Banco de Imagens Coral Reef/Tracey Jen
Peixes nas Ilhas Salomão, um dos locais mais afetados pela mudanças climática

 

As previsões apostam no dobro, ou US$ 3 trilhões, até 2030. Algumas indústrias com base nos oceanos poderão crescer mais rápido do que a economia global.

Diante de uma realidade marcada pela “ameaça existencial” da saúde dos mares, por causa da chamada tripla crise de poluição, das perdas da natureza e da mudança climática, a atividade humana alterou dois terços dos recursos dos oceanos.

A ameaça a indústrias, negócios e meios de subsistência acontece quando financiamentos são dirigidos em grande parte para setores e atividades insustentáveis. Para o Pnuma, é essencial uma transição rápida nas áreas ligadas à economia azul para vias mais sustentáveis.

Transição

A agência da ONU aponta que instituições como bancos, seguradoras e investidores têm um papel importante no investimento nessa transição podendo favorecer o oceano e restaurar a sua biodiversidade.

Saeed Rashid
Indústrias com base nos oceanos poderão crescer mais rápido do que a economia global

 

Atividades do setor financeiro, incluindo o relacionamento com os clientes, conferem “um grande impacto” à saúde dos oceanos e podem acelerar e integrar a transformação sustentável das indústrias ligadas ao oceano.

Para o chefe do Pnuma FI, Eric Usher, as novas orientações são um instrumento para as instituições financeiras compreenderem seu impacto e descobrirem como uma nova abordagem sustentável pode ajudá-las a identificar os principais riscos e oportunidades em setores ligados ao oceano.

Benefícios

Já a responsável do Departamento Marinho e de Água Doce dos Oceanos, Letícia Carvalho, defende que com um dólar investido em recursos sustentáveis dos oceanos pode haver um retorno cinco vezes maior em benefícios globais.

Para as pessoas que ocupam cargos de decisão em áreas como banca, seguros e investimentos, o Pnuma recomenda as novas orientações pela sua base científica e pelas recomendações sobre a atividade financeira que considera fáceis de seguir.

Issf/ Fabien Forget.
Um terço dos estoques globais de peixes é capturado acima dos níveis biologicamente sustentáveis.