Morte da Amazônia está marcada para 2064, diz pesquisador

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O desmatamento da floresta amazônica tem sido o cartão-postal de várias campanhas sobre a destruição do meio ambiente. No entanto, tendências recentes indicam que o fim da Amazônia pode estar muito mais próximo do que se imagina: 2064. A afirmação é de Robert Walker, geógrafo e cientista do Centro de Estudos Latino-Americanos da Universidade da Flórida.

De acordo com o cientista, apesar de dramático, o ano de 2064 pode realmente marcar a morte da floresta amazônica. “Os números falam por si só”, disse Walker à revista científica Discover.

Depois de estudar a Amazônia por décadas, Walker reuniu dados de estudos quantitativos recentes, em que eram medidos aspectos como mudanças no corpo florestal, frequência de secas e focos de incêndios, desmatamento e alterações no padrão das chuvas.

Ao analisar tais informações, o cientista encontrou um ponto final na trajetória da floresta, quando ela não poderá mais se recuperar dos danos causados. Este “ponto final” pode ser previsto para o ano de 2064, segundo Walker. A partir de então, não haveria mais a floresta amazônica, mas uma savana.

Colapso evidente
A situação na Amazônia era promissora no começo do século, com o desmatamento em queda entre os anos de 2004 e 2012. Mas desde então, a degradação da floresta amazônica passou a crescer. Em 2020, o desmatamento atingiu o seu maior patamar desde 2010.

Em 2018, cientistas do mundo inteiro concordaram que a perda de 20% a 25% da área florestal iria lançar a região em uma mudança sem precedentes para um ecossistema seco, de transição para uma savana. Isto porque a derrubada de árvores altera padrões climáticos na região, uma vez que elas absorvem e emitem umidade na atmosfera. Ou seja, o desmatamento abrirá caminho para mudanças atmosféricas dramáticas, levando ao colapso da floresta.

O contraste, em 2020, segundo a Discover, é que os pesquisadores atualizaram as suas estimativas e divulgaram a perda de 11% da Amazônia e outros 17% tendo passado por “perturbações”. O que são estas perturbações não é claro, mas abordam queimadas, construção de rodovias que passam pelo meio da floresta, entre outras.

Estas “perturbações” podem puxar um gatilho, criando mais degradações às áreas de floresta. Por exemplo, algumas árvores e plantas sobreviveriam a uma queimada, área que poderia ser recuperada totalmente por uma floresta saudável dentro de alguns anos.

Entretanto, capim plantado por perto para fins de pastagens pode invadir a área queimada, que nunca mais voltaria à recuperação total. Outro fator de exemplo é que o capim é muito mais propenso ao fogo na ocasião de uma queimada. Então todo o ciclo se repetiria, destruindo ainda mais territórios de floresta.

Ainda de acordo com a Discover, o desmatamento gera ainda mais perturbações, uma vez que traz pessoas e suas rodovias ainda mais para dentro da floresta. “Todas estas circunstâncias juntas causam a transição da floresta [para uma savana]”, afirma Robert Walker.

2020Mudanças climáticas adicionam outra camada importante nesta trajetória: cientistas da Universidade Estadual do Michigan, liderados pelo geógrafo Nafiseh Haghtalab, descobriram que algumas partes da amazônia ocidental (leste) têm muito mais chuva do que o normal para toda a região. Segundo os pesquisadores, são 17,7 centímetros de chuva por ano desde 1982.

Porém, as regiões oeste e sul tem se tornado mais secas. Estas localidades da floresta amazônica englobam parte da floresta no Brasil, e onde, de acordo com os cientistas, o desmatamento é muito mais nítido. Na Amazônia brasileira, o período de secas, que dura cerca de sete meses, tem acrescido um dia por ano.

Quando uma seca severa acomete a região, muitas árvores perdem suas folhas e algumas chegam a morrer. Estes padrões são facilmente documentados por meios visuais, como imagens de satélite. Com os recursos, pesquisadores descobriram que a floresta leva cerca de quatro anos para recuperar uma área atingida por secas severas.

“Com base na seca de 2005 [na Amazônia], que foi de 20 a 30 dias mais longa do que a média, podemos calcular quanto tempo levará para que aquela seca se torne o ‘novo normal’ na região”, afirma Robert Walker.

Em resumo, segundo o cientista, quando o período de seca chegar a durar quatro anos, o ponto sem retorno será alcançado: a Amazônia deixará de ser uma floresta, o que deve ocorrer por volta de 2064.

Neste ano, as árvores não serão substituídas, o capim irá tomar conta e queimadas recorrentes deverão manter o sistema de savana. Walker é categórico ao marcar a morte da Amazônia para 2064. “Isso vai acontecer, a não ser que mudemos radicalmente o que quer que seja que estamos fazendo agora”, alerta.

As medidas para se evitar a catástrofe são bem conhecidas: diminuir a emissão de gases de efeito estufa, o desmatamento e as queimadas em áreas florestais.

 

Por Diário da Amazônia com informações da revista Discover.