Investimento em economia verde deve ajudar África na recuperação da pandemia

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A Comissão Econômica da ONU para África, ECA, recomendou aos países do continente a adotarem políticas que levem a investimentos verdes para aumentar a produtividade facilitando a recuperação da pandemia e alcançar a industrialização sustentável.

O analista-chefe da Divisão de Especialistas em Macroeconomia e Governança apresentou o relatório atualizado do desenvolvimento econômico em África, no qual nomeou o apoio a pequenas e médias empresas como decisivo para revitalizar sustentos e reforçar sistemas de proteção social.

OMM/Cornel Vermaak
Comissão da ONU estima que cerca de 49 a 161 milhões de pessoas caiam em pobreza extrema

Avaliação

A recomendação foi feita no 39º encontro do Comitê de Peritos da Comissão Africana.

Hopestone Kayisha Chavula disse que países precisam construir e fortalecer sistemas de monitoramento e avaliação estatísticos para refinar a mitigação e medidas de recuperação. Ele indicou que o reforço dos sistemas de saúde através de criação de centros regionais de última geração é também crucial.

Ele destacou a necessidade de apoio da comunidade internacional para resolver a liquidez e promover a recuperação, que pode ser possível com a emissão e revogação de direitos especiais de saque, redução dos custos de crédito, reestruturação da dívida e recapitalização dos Bancos Multilaterais.

Rémi Chapman @WIA Initiative
África tem uma alta taxa de desemprego, cerca de 15%, que afeta principalmente mulheres e jovens

Efeitos Negativos

Por outro lado, o Chefe da Seção disse que a Covid-19 afetou de forma significativa o desenvolvimento socioeconômico no continente, interrompendo ou revertendo progressos alcançados nos últimos anos na educação, saúde e erradicação da pobreza.

Em consequência da crise, a Comissão da ONU estima que cerca de 49 a 161 milhões de pessoas caiam em pobreza extrema, contudo as perspectivas de recuperação mantêm-se positivas para 2021.

No último semestre de 2020, o desempenho da economia melhorou e o Produto Interno Bruto, PIB, recuperou-se e para os analistas o fato deve-se a disponibilidade de vacina da Covid-19 e gastos em viagens. No primeiro semestre, o PIB havia contraído e desvantagens da segunda vaga de infecções, preços de comodidades mais baixos, riscos fiscais e conflitos são o motivo.

O déficit fiscal também subiu, devido ao aumento de gasto para travar a propagação do vírus, colocando um crescente número de países em risco de endividamento.

FAO/Petterik Wiggers
Sistemas alimentares em África foram afetados por choques climáticos, conflitos e, mais recentemente, a pandemia de Covid-19

Resposta

Em resposta, Chavula afirma que políticas monetárias adaptáveis foram mantidas para atenuar os efeitos negativos da pandemia na atividade econômica, apesar da pressão inflacionária em alguns países. A expectativa é que o comércio africano se recupere da queda com a implementação da Zona de Livre Comércio.

Sobre riscos e incertezas, ele salientou, que a segunda onda de infecções, medidas ficais expansionistas e o aumento dos custos de dívida representaram riscos negativos para o crescimento de muitos países.

A instabilidade pós-eleitoral e ansiedade, resultantes sobretudo de dificuldades econômicas ligadas a pandemia, e o cansaço do confinamento, levaram a incertezas, acrescentou.

Num momento em que vários países estão em risco de eventos climáticos extremos, o analista macroeconômico lembra que os riscos das mudanças climáticas podem minar o crescimento econômico.

Para Chavula, o acesso ao financiamento concessionário será vital na restauração de vidas, sustentos e recuperação do ímpeto para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e a Agenda 2063.

*Amatijane Candé, de Bissau para a ONU News.